quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

O Fausto, o tímido siamês!


Hoje o dia está que é uma tristeza, embora a dona o tenha passado, inteiriiinho, connosco, o que é sempre um conforto. Digo conforto, pois, embora trabalhe ao lado de casa, passa cada vez mais horas fora... Ao ponto de termos saudades dela e dos discursos parvos com que nos brinda o tempo todo! A fazer o quê, não sabemos, já que também trabalha horas e horas com papéis quando cá chega!!! Desconfiamos que sai para se divertir e depois faz o trabalho em casa...
Estava a fazer a apresentação da família da primeira e última vez que cá vim. Só posso vir ao blog quando a dona está presente porque ainda não sei as passwords de tudo o que ela aqui tem... Nem sei chegar sózinha...
Uma vez que despachei a Misha na primeira sessão, posso começar a falar do Fausto, mais conhecido por Nhau-Nhau, por ser muito falador. Aliás, o rapaz precisa mesmo de falar: a sua "fala" deve ser o motor da sua energia. Até para andar ele fala, impressionante!! Pior é quando a dona e ele estabelecem longos diálogos de nhaunhauzice!!!
Bem, continuando, o Fausto é um siamês, nascido em Agosto de 2000, meigo e medroso. Tão medroso que se assusta com a sua própria sombra, o que nos faz rir imenso. Mas nem sempre foi assim, não senhor: quando era infante parecia o terror em forma de gente. Só fazia asneiras...
Estragos foram mais que muitos: um relógio muito antigo que projectou do alto de uma estante (bem lá do alto!!), uma caixa de música adorada, bibelots vários com valor muito, mas mesmo muito sentimental... enfim, uma lista de infindável de perdas, acompanhada de muito grito , muito choro, muita ameaça de ser deixado à sua sorte num gatil!!! Nem é bom lembrar. Aliás, isto repetiu-se, com maior intensidade, anos mais tarde, com outro hóspede.
Modificou-se muito de repente, talvez porque viu a dona, a chorar de dor, ser levada pelos pais dela (e eu também!), e ficou sózinho com a Misha durante uns quatro dias. Não, não foram abandonados: vinha uma amiga da dona, a tia Mena, tratar deles. Agora sabemos que a dona estava muito doente e teve que ser internada... Voltou a acontecer mais duas vezes, em menos de 365 dias. Penso que fosse grave!!!
O Fausto estava abandonado juntamente com os seus irmâos, desde as duas semanas de idade, sendo cuidados por pessoas que tiveram pena deles. Com a morte do Baltazar, este gatinho veio para amenizar a profunda dor da nossa humana... E parece que, com tanto disparate, em parte, conseguiu!!!
O nosso Fausto mudou tanto que passou a uma timidez quase assustadora ao ponto de ser chamado "o gato do armário" ou o "gato da cama", pois é num ou noutro sítio, bem escondido, que tem passado a sua existência! Ultimamente anda um pouco melhor, porque a dona o obriga a sair de dentro da cama, sobretudo em Marvão, para que aproveite as férias da mesma maneira que nós, ou seja, na rua, ao ar livre, a apanhar sol!! Ela costuma dar-lhe grandes sermões sobre "como viver a vida em pleno", "os perigos do sedentarismo" e mais actualmente, "os benefícios de uma vida saudável e equilibrada"... E ele, muito estrábico e ao mesmo tempo com muita atenção, olha-a penso que com admiração pela sua sabedoria e pensa: "Será que é agora que me dá mais comidinha???"

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