quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Não disse que o dia estava uma tristeza???


Pois é... uma tristeza mesmo. Andamos todos parvos, neuróticos, insatisfeitos...
Fiz uma breve meditação e cheguei à conclusão que o dia tinha sido igual a tantos outros. Quer dizer, a dona esteve em casa. Estranho! Deixa cá ver se alguma coisa correu mal ou se aconteceu algo inesperado ou trágico que justifique esta nostalgia.
Revendo: o despertador tocou às 6 da manhã. Normal. Seguiu-se a fase da televisão. Normal. E a dos gatos. E a do café. E a do banho. E a da discussão com os gatos... E... Não faltou nenhuma.
Comemos duas refeições, os gatos quatro, mais duas que nós, cães, ainda não percebi porquê... Até são mais pequenos e tudo. Deve ser discriminação!
Foi um dia normal, mas choveu o tempo quase todo e o gás do calorífero acabou e os gatos amotinaram-se. O Simão correu atrás do Miro, que berrou como se um combóio o estivesse a trucidar, a Misha desatou a bater em todos menos em mim... O Binx, deu-lhe uma louca e largou a emboscar-se à espera do Simas, seguindo-se grandes sessões de wrestling... O Fausto e o Chaka espreitavam, para "variar", muito cautelosamente, ao fundo do corredor. Confusão não é mesmo com eles e quanto mais longe estiverem de levar, ou seja, da Misha, melhor.
A dona, a ver se o Miro acalmava e nos deixava saborear o pós-jantar, deu-lhe mais um osso de couro e ele lá se entreteve. Estávamos, ainda, a ver as desgraças humanas nacionais e mundiais, o Miro na árdua tarefa de destruir e volatilizar o osso ainda hoje, quando o Nino começou num louco frenesim. Levantava-se nas patas traseiras, puxava a mão da nossa tutora com o focinho e com a patinha, enfim figuras tristes. Ela foi logo verificar se havia água e comida, mas ele continuou no mesmo disparate. Perguntou-lhe tudo: festinhas?; caminha??; ... e a tudo ele respondeu abanicando-se e tremendo na expectativa. Parecia mesmo um cão, aquilo que falam de nós;. sôfregos por tudo (comida, amor, etc), dependentes, subservientes, cegamente fiéis e isso. A certa altura criou-se um impasse. "Não percebo, Nino. Chega. Vai para a cama." Foi então que o o jovem se decidiu. Indicou-lhe o que queria: aproximou-se do Miro e do seu osso e fez aquele arzinho de "lombinhos de porco preto grelhados" e "castanhas assadas". "Oh, Nininho. Desculpa, a dona não sabia. Queres um ossinho, é? A dona dá!!"
Perdemos aos pontos com estas mariquices. O ar de gozo da Maria e do Simão e o de vómito da Misha ("Que nojo!!"), fazem-me sentir humilhada. Mas que mania têm que são superiores! Põem aquele ar de felinos misteriosos de olhos profundos e gozam que nem uns macacos, seja lá o que isso fôr.
Já agora, e e eu?? Porque não tenho um osso? Também quero! Lá por ter perdido dois dentes, ainda posso provar e saborear... pelo menos tenho língua. Uns são comprados, outros adoptados, é o que é. E diz ela que é justa... Justa é a Misha. Essa mantém sempre a mesma postura para todos (excepto para mim, eheheh,,,): vai a eito, todos levam!!!
E está na hora. A dona vê o AXN, uma série assim a modos que "ronhov" (v - fau), ouve-se o ensalivar dos ossos de couro e em stereo!, o Chaka já está encostadinho à dona e o Fausto cheio de ciúmes a escassos centímetros de distância e os outros, bem onde estarão? Prevejo um pequeno drama antes de dormirmos. Se não houver, o dia não terá decorrido com normalidade!

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