quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Que caos!!!


A dona já deu à “costa”… Quer dizer, saiu daquele estado tipo hibernação… Mas ainda parece um zombie!!!
Os meus receios quanto ao seu voltar à realidade e verificar quão dura ela pode ser, confirmaram-se…
Ontem de madrugada, quando se lembrou de ir à casa de banho, ficou muito esquisita assim para o azulado, a balbuciar: “Eu não acredito, eu não acredito…” Mais nada, nem um grito, ou uma ameaça de gatil/canil, nada… O que foi muito estranho, pois a dita divisão tinha acabado de ser remodelada pelo Binx…
Hoje, levantou-se pujante!! E sobrou para todos!!!
Começou pelo Binx e pelas suas ideias de redecoração de interiores. Os objectos atirados de todo o lado… Os objectos que além de atirados ainda se lembraram de se partirem… As malditas bruxas, como se não tivesse dezenas delas ainda intactas… O lava-loiça e os “resíduos” pulverizados… Os sete rolos de papel higiénico marca “Binxas” (“O rendilhado é mais macio!”)… E por aí fora!!! Garantiu ao simpático e criativo felino que o iria pôr negro! (Mais??? O jovem já é negro...) Isto para além de uma ida sem regresso para o gatil municipal!!!
A seguir, foi o capítulo Miro! O comando… O cabo de alimentação do computador… Os ténis… Uma vela de estimação… A nossa escova… E por aí fora!! Bem, diga-se com toda a sinceridade, o Miro não tem a classe do Binx para estas coisas! O coitadito acredita mesmo que vai para o canil municipal, depois de passar pelos cuidados intensivos da Faculdade de Medicina Veterinária… É muito tosco, o rapaz! E ela, o que inventa…
A cena chegou a mim: os bolos!!! Os bolos que lhe trouxeram, que eu roubei e distribuí cá pelo pessoal… Não, eu não vou para o canil, nem para os cuidados intensivos! Estou é proibida de voltar a subir para a cama dela, para o sofá e vai poupar na minha ração para comer os bolos todos da primeira pastelaria que encontrar!!! E com creme!!
Enquanto todo este drama se desenrolava, era vê-los: o Chaka e o Fausto do lado oposto do corredor para não lhes calhar qualquer coisa menos agradável; a Maria e o Simão sentados numa das caminhas a protegerem-se um ao outro; a Misha em parte incerta; o Nino, o valente do Nino, na caminha dele com a cabeça enterrada no cobertor, qual avestruz; o Miro debaixo da mesa e o Binx, com a desilusão estampada no focinho, sempre atrás dela (estilo:”Então, não gostaste da minha prenda??"). Por mim, continuei refastelada no sofá, à espera da fase seguinte: “Desculpem, sim? A dona passou-se e não pensou no que disse… Desculpem!!!” É uma questão de tempo.
A agravar a situação, o “avô” resolveu gozar com ela a propósito da broncopneumonia: “Deixa lá, filha, curas a pneumonia, mas continuas bronca, ou seja, as características não se alteram!!” Eheheh… Foi o fim! Sem sentido de humor e sempre a chocar-se com o progenitor (têm ambos o mesmo feitiozinho…), a coisa ia acabando com o “avô” no canil municipal depois dos cuidados intensivos da Faculdade!!!
Ela, apesar de tudo, não se pode queixar: todos temos estado com ela, a vigiá-la e protegê-la e quase nem fizemos barulho… Bem, a Misha andava impossível, mesmo: rosnava e batia em todos, mas, à parte essa rotina, andámos muito “pezinhos de lã”!
Até temos tido menos passeios, só os habituais porque os amigos SOS trabalham e não conseguem ajudar-nos tanto. A comidinha não tem faltado, mas preferíamos que continuasse tudo como no fim de semana: à discrição!! Acho que todos se aperceberam da nossa manha…
Os dias foram uma monotonia completa e, pelo que ouvi, nem vamos a Marvão passar férias, pois as obras avançaram e estão a tirar canalização e electricidade. Vai ser tudo substituído… Mau!! Não gosto nada destas alterações aos nossos planos! O pior é que a dona ainda não deve ter pensado em alternativas, por exemplo, Milfontes… Há quase um ano que lá não vamos! O ar do mar ia fazer-nos bem e isso! E ao mau feitio dela também!

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Dona doente, doideira em casa...


A dona está doente!!!
Exactamente! Está que ninguém a atura. Chegou assim estranha na sexta-feira, nem o blusão despiu… Ligou o calorífero para os clientes do costume e levou-me ao vet… Nem assim, não escapo mesmo!!! Deve ser promessa!
Voltámos e ela de blusão vestido e ar esverdeado!!
Há coisas que não compreendo: estava bem quando saiu, por volta das 10.30, fez o discurso habitual da partida: ” A dona não demora, sim? Blá, blá, blá…” e regressou às 17.00… Sem o discurso da chegada… Sem papéis… Pelo menos nem a pasta abriu, tal como não descartou o blusão…
Deve mesmo ter ido trabalhar e isso não lhe fez qualquer bem à saúde!!!
Foi uma noite infernal, com muita troca de pijamas e muito chá e muita discussão rabugenta com os gatos que também queriam chá…
E sábado chegou!! E as horas passavam mas o despertador nunca tocou e a televisão não acendeu... Mauuu! Muito mauuu!
Começámos a ficar muito apreensivos: então, e nós?? A nossa ida à casa de banho??? Vá lá, pegou no telefone e falou com alguéns (digo alguéns, porque assisti a três chamadas seguidas!).
A campainha da porta tocou finalmente e apareceu o primeiro de alguns amigos que se apressou a “vestir-nos” e lá saímos. Ar puro, ar fresco, brrr!, que frio, mas, ao mesmo tempo, um grande alívio.
A situação, embora preocupante no que toca à nossa dona, revelou-se espectacular para nós: só nesse dia saímos seis (SEIS) vezes, em vez das três/quatro habituais e a tia Luísa até nos levou aos campos ao lado da escola para corrermos à vontade. Comemos quatro (QUATRO) vezes, eheheh, porque estava tudo meio desorientado e confuso. À medida que chegavam, lá enchiam os nossos pratinhos… Nunca nos desmanchámos, claro. Aliás, quando o Nino põe “aquele” olhar e o Miro faz números de circo, quem resiste??? Demais!! (Esperem pelo sermão e pela "dieta" quando descobrir!)
Só para os gatos verem como é: há quem adore cães!!!
O resto do fim de semana continuou nesta animação, muito passeio, muita comida... Realmente, quando a dona não está na posse de todas as suas faculdades físicas e mentais, esta casa fica caótica!!
Farei apenas um relato simples de algumas ocorrências: O Binx redecorou a sala… Sim, mudou coisas de lugar e ao fazê-lo, partiu o que pôde, acabou com mais duas bruxas da colecção da dona e fez uma “desinfecção” completa do lava-loiça, com a respectiva “desintegração” de resíduos (uma caneca e uma taça!)… O Miro deu um visual novo ao comando da televisão e personalizou o cabo de alimentação do computador… A Misha, bem, a Misha bateu em todos, claro!! Menos a mim, evidentemente! O Fausto e o Chaka assistiram a tudo do lado oposto do corredor, mas apanharam na mesma, já que a rapariga se encontrava no auge da inspiração… A Maria, o Nino e o Simão mantiveram as suas posturas normais, os espertos, só para não sobrar para eles quando “ela” se levantar!
Quando se levanta? Incógnita! Quase mordeu o vet dela, ontem, e hoje houve nova gritaria, mas acho que a situação não está famosa, não.
Será que o Pai Natal vem mais cedo??

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Hoje comi 2,5 escovas de dentes!!! Nhammmm...


Um dia produtivo, é como o classifico!
Começou como todos os outros, o mesmo ritual: despertador, televisão, gatos, café, banho, discussão com gatos, número desigual de refeições... E choveu!!
O drama começou quando a generala chegou a casa... Não havia gás para o calorífero dos gatos! Um crime!! E a Misha não andou bem disposta todo o dia, por razões graves. O que é mau, muito mau!!
O Miro tinha "marcado" as três cestinhas que ela ocupa alternadamente, só para que mais ninguém as ocupe. Situação muito perigosa para o Miro, sobretudo quando ela descobriu que a cama da dona, seu último refúgio, se encontrava nas mesmas condições. Não há gata que aguente semelhante despautério, e a Misha então... Sobrou para ele, claro, primeiro da Mishinha e a seguir da dona... (Uma hora! Uma hora a ouvir: `É desta, Miro, é desta que vais para o canil!!", "Cão mau!!" "Estou farta!!" e por aí fora.)
O pior é quando tudo acalma, a cama foi mudada e a máquina de lavar ligada. "Miro, não foi com intenção! Nunca te poria num canil!!", "Tens de compreender que a dona está cansada...", bla, bla, e a seguir o refrão que se prolonga até ao dia seguinte: "Desculpas a dona? Desculpas??".
Muito fala esta mulher!! Fala, fala, fala... Horas a fio. E discute os filmes connosco, grandes cotoveladas nos nossos narizes, "Tás a ver a banhada, tás, Miro?". "Banhada??? Não conheço esta palavra. Será que vai dar comidinha da boa??", pensa o Miro já de pé, excitadíssimo, a abanar-se todo que nem um dançarino de mambo!!!
E em Marvão, naquela horinha de lazer depois de almoço, quando só apetece o silêncio daquela magnífica paisagem??? É quando lhe dá mais gás e brota palavras a uma velocidade indiscritível. Pobres tia Paula, tio Zé, Rui, etc... Sofrimento!!! O lado positivo é que assim nós, os nove, não nos sentimos tão sózinhos à mercê desta sujeita impiedosa!
Continuando, a Misha pediu que o calorífero fosse acendido, mas gás era grupo! Uuupppss... Perturbação! Pobre Miro! Coitados de todos! Ainda bem que não faço parte da lista!
Antes que a situação se descontrolasse, a dona correu a buscar uma "pluma". E voltou rápido, apesar de tudo: botija de gás, ração para gatos esterilizados, umas prendas de Natal e ... seis maravilhosas escovas de dentes de couro maciiiooo! Lindas, de cores diferentes, laranja, creme e verde, cheirosiiinhas...
O calorífero foi acendido para grande gáudio do clã felino (tão giro vê-los em fila indiana, ocupar cada um a sua almofadinha!). E nós à espera. Até que me foi dada uma escova de dentes verde, ao Nino uma creme e ao Miro, laranja.
Despachei a minha a grande velocidade e cheia de profissionalismo e roubei a do Nino, quando o glutão foi ver se apanhava a do Miro, pois uma "prenda" só nunca lhe chega. Quer sempre o que os outros têm, ele e o Mirinho idem . Mas a dona viu tudo e tirou-ma logo, colocando-a em cima da mesinha de apoio.
Aquilo da sofreguidão, dependência, subserviência e fidelidade cega, é para esquecer. Fui sôfrega, dependente, subserviente, pedinchona... Fiz uma birra monumental!!! Ela não cedeu. Chorei, rebolei-me, fiz olhinhos de "lombinhos de porco preto grelhado" e "castanhas assadas", mas não devo ter a técnica do Nino porque não resultou!!!
Jantámos, fomos à rua e eu sem esquecer aquela saborosa escova de dentes creme!!!
E começou o CSI... E a dona distraiu-se... E pimba!, escova de dentes creme na minha boca. A seguir, apanhei o que restava da do Miro. E soube que nem "secretos" de porco preto gralhados na lareira de Marvão!!! Agora estão os dois, Nino e Miro, amuados, em cima da cama da dona, focinhos entre as patas e olhos húmidos de revolta e tristeza, ansiando que ela repare que foram enganados e humilhados. Eheheh!!!
Azar!! Quero lá saber da solidariedade, eles só tinham de controlar o que é deles, mai nada!

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Não disse que o dia estava uma tristeza???


Pois é... uma tristeza mesmo. Andamos todos parvos, neuróticos, insatisfeitos...
Fiz uma breve meditação e cheguei à conclusão que o dia tinha sido igual a tantos outros. Quer dizer, a dona esteve em casa. Estranho! Deixa cá ver se alguma coisa correu mal ou se aconteceu algo inesperado ou trágico que justifique esta nostalgia.
Revendo: o despertador tocou às 6 da manhã. Normal. Seguiu-se a fase da televisão. Normal. E a dos gatos. E a do café. E a do banho. E a da discussão com os gatos... E... Não faltou nenhuma.
Comemos duas refeições, os gatos quatro, mais duas que nós, cães, ainda não percebi porquê... Até são mais pequenos e tudo. Deve ser discriminação!
Foi um dia normal, mas choveu o tempo quase todo e o gás do calorífero acabou e os gatos amotinaram-se. O Simão correu atrás do Miro, que berrou como se um combóio o estivesse a trucidar, a Misha desatou a bater em todos menos em mim... O Binx, deu-lhe uma louca e largou a emboscar-se à espera do Simas, seguindo-se grandes sessões de wrestling... O Fausto e o Chaka espreitavam, para "variar", muito cautelosamente, ao fundo do corredor. Confusão não é mesmo com eles e quanto mais longe estiverem de levar, ou seja, da Misha, melhor.
A dona, a ver se o Miro acalmava e nos deixava saborear o pós-jantar, deu-lhe mais um osso de couro e ele lá se entreteve. Estávamos, ainda, a ver as desgraças humanas nacionais e mundiais, o Miro na árdua tarefa de destruir e volatilizar o osso ainda hoje, quando o Nino começou num louco frenesim. Levantava-se nas patas traseiras, puxava a mão da nossa tutora com o focinho e com a patinha, enfim figuras tristes. Ela foi logo verificar se havia água e comida, mas ele continuou no mesmo disparate. Perguntou-lhe tudo: festinhas?; caminha??; ... e a tudo ele respondeu abanicando-se e tremendo na expectativa. Parecia mesmo um cão, aquilo que falam de nós;. sôfregos por tudo (comida, amor, etc), dependentes, subservientes, cegamente fiéis e isso. A certa altura criou-se um impasse. "Não percebo, Nino. Chega. Vai para a cama." Foi então que o o jovem se decidiu. Indicou-lhe o que queria: aproximou-se do Miro e do seu osso e fez aquele arzinho de "lombinhos de porco preto grelhados" e "castanhas assadas". "Oh, Nininho. Desculpa, a dona não sabia. Queres um ossinho, é? A dona dá!!"
Perdemos aos pontos com estas mariquices. O ar de gozo da Maria e do Simão e o de vómito da Misha ("Que nojo!!"), fazem-me sentir humilhada. Mas que mania têm que são superiores! Põem aquele ar de felinos misteriosos de olhos profundos e gozam que nem uns macacos, seja lá o que isso fôr.
Já agora, e e eu?? Porque não tenho um osso? Também quero! Lá por ter perdido dois dentes, ainda posso provar e saborear... pelo menos tenho língua. Uns são comprados, outros adoptados, é o que é. E diz ela que é justa... Justa é a Misha. Essa mantém sempre a mesma postura para todos (excepto para mim, eheheh,,,): vai a eito, todos levam!!!
E está na hora. A dona vê o AXN, uma série assim a modos que "ronhov" (v - fau), ouve-se o ensalivar dos ossos de couro e em stereo!, o Chaka já está encostadinho à dona e o Fausto cheio de ciúmes a escassos centímetros de distância e os outros, bem onde estarão? Prevejo um pequeno drama antes de dormirmos. Se não houver, o dia não terá decorrido com normalidade!

O Fausto, o tímido siamês!


Hoje o dia está que é uma tristeza, embora a dona o tenha passado, inteiriiinho, connosco, o que é sempre um conforto. Digo conforto, pois, embora trabalhe ao lado de casa, passa cada vez mais horas fora... Ao ponto de termos saudades dela e dos discursos parvos com que nos brinda o tempo todo! A fazer o quê, não sabemos, já que também trabalha horas e horas com papéis quando cá chega!!! Desconfiamos que sai para se divertir e depois faz o trabalho em casa...
Estava a fazer a apresentação da família da primeira e última vez que cá vim. Só posso vir ao blog quando a dona está presente porque ainda não sei as passwords de tudo o que ela aqui tem... Nem sei chegar sózinha...
Uma vez que despachei a Misha na primeira sessão, posso começar a falar do Fausto, mais conhecido por Nhau-Nhau, por ser muito falador. Aliás, o rapaz precisa mesmo de falar: a sua "fala" deve ser o motor da sua energia. Até para andar ele fala, impressionante!! Pior é quando a dona e ele estabelecem longos diálogos de nhaunhauzice!!!
Bem, continuando, o Fausto é um siamês, nascido em Agosto de 2000, meigo e medroso. Tão medroso que se assusta com a sua própria sombra, o que nos faz rir imenso. Mas nem sempre foi assim, não senhor: quando era infante parecia o terror em forma de gente. Só fazia asneiras...
Estragos foram mais que muitos: um relógio muito antigo que projectou do alto de uma estante (bem lá do alto!!), uma caixa de música adorada, bibelots vários com valor muito, mas mesmo muito sentimental... enfim, uma lista de infindável de perdas, acompanhada de muito grito , muito choro, muita ameaça de ser deixado à sua sorte num gatil!!! Nem é bom lembrar. Aliás, isto repetiu-se, com maior intensidade, anos mais tarde, com outro hóspede.
Modificou-se muito de repente, talvez porque viu a dona, a chorar de dor, ser levada pelos pais dela (e eu também!), e ficou sózinho com a Misha durante uns quatro dias. Não, não foram abandonados: vinha uma amiga da dona, a tia Mena, tratar deles. Agora sabemos que a dona estava muito doente e teve que ser internada... Voltou a acontecer mais duas vezes, em menos de 365 dias. Penso que fosse grave!!!
O Fausto estava abandonado juntamente com os seus irmâos, desde as duas semanas de idade, sendo cuidados por pessoas que tiveram pena deles. Com a morte do Baltazar, este gatinho veio para amenizar a profunda dor da nossa humana... E parece que, com tanto disparate, em parte, conseguiu!!!
O nosso Fausto mudou tanto que passou a uma timidez quase assustadora ao ponto de ser chamado "o gato do armário" ou o "gato da cama", pois é num ou noutro sítio, bem escondido, que tem passado a sua existência! Ultimamente anda um pouco melhor, porque a dona o obriga a sair de dentro da cama, sobretudo em Marvão, para que aproveite as férias da mesma maneira que nós, ou seja, na rua, ao ar livre, a apanhar sol!! Ela costuma dar-lhe grandes sermões sobre "como viver a vida em pleno", "os perigos do sedentarismo" e mais actualmente, "os benefícios de uma vida saudável e equilibrada"... E ele, muito estrábico e ao mesmo tempo com muita atenção, olha-a penso que com admiração pela sua sabedoria e pensa: "Será que é agora que me dá mais comidinha???"

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Apresentação


Nasci no dia 5 de Outubro de 1997. Não sei a hora e muito menos se foi parto natural ou cesariana... A ninhada era normal, mas não me lembro quantos éramos nem dos meus irmãos.
Fui oferecida a esta humana na véspera de Natal desse ano, pelo seu pai, pois o Xavier tinha morrido e ela estava desolada. No meio de enorme confusão, a família é numerosa, fui recebida com muita emoçao e lágrimas... A cena foi de tal forma avassaladora que estive duas semanas em estado de choque!!!
A dona tinha um gato, um siamês de nove anos, muito senhor do seu nariz, que até me conseguiu intimidar um pouco, no início: ele nem se levantava quando eu me aproximava... Abria a boca a fazer que bufava, mas não emitia qualquer som. Aquilo fez-me desconfiar que seria alguma arma secreta, mas não... Ele simplesmente achava que nem valia a pena mostrar o poder da sua voz!!
O tempo foi passando e acabei por o conquistar com umas belas lambidelas em pleno nariz. O rapaz até pulava de tanta nausea!!!
Moro, neste momento, com mais oito amigos, além da dona: seis gatos e dois cães... por enquanto! É um festival, uma animação, este nosso lar.
A Misha é, agora, a mais velha, em idade e antiguidade, dos gatos. Nasceu a 29 de Janeiro de 2000 e entrou para a família em Abril do mesmo ano. Como diz a dona, é a matriarca felina...
É uma linda gata tartaruga, fruto de um romance entre um siamês e um persa (qual o macho, qual a fêmea, uma grande incógnita!). O seu pêlo tricolor, sempre espetado, parece um manto mesclado de creme, preto e laranja.
Tem um péssimo feitio!!! Nariz achatado e empinado e olhos amarelo-ouro, tem tanto de bela quanto de má. Tudo a incomoda, tudo a aborrece, mas mesmo, mesmo tudo!!! E o resultado é sempre o mesmo: bate em todos!! Todos? Todos, menos a mim, pois tenho mais tempo de serviço na família...
A Misha veio, ainda o Baltazar era vivo, mas já se encontrava muito doente, em tratamentos e uma operação, que o único fruto que deram foi esvaziar a conta bancária da dona. Tinha um adenocarcinoma do intestino e morreu no dia 21 de Setembro de 2000.
A Misha já cá estava quando a dona decidiu salvar o mundo a tempo inteiro, cheia de profissionalismo! Sempre grande defensora de causas perdidas, mas tem exagerado, desde que entrámos no novo milénio. Penso que tem a ver com a grande desilusão que sente em relação aos seres da sua própria espécie...