sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Ah, como gosto de ajudar a minha dona!!


Sim, sou muito amiga da minha humana!! E compreendo-a como ninguém, chegando mesmo a sentir as suas angústias, os seus medos, as suas revoltas, as suas paranóias… Como se fossem minhas!
Sei que está a passar momentos muito duros, desde que nos mudámos para cá. O desaparecimento do Fausto abalou-a para além do imaginável, ela que sempre lutou para que tudo corresse bem para nós. É verdade quando ela diz que abdica de muita coisa para que nada nos falte!!
Quantas vezes gostaria de comprar qualquer coisa para ela, mas pensa: “Ah, falta acabar de pagar a conta do vet…” ou “Preciso encomendar as rações…” Quantas vezes não sai porque receia que nos assustemos ou que aconteça alguma coisa… E vejo que tem pena!!
Decidi ajudá-la!! Sei que anda farta, quase doente, com uma série de situações menos agradáveis, que se passam nesta casa que ocupamos… A casa do “avô”, que já nem parece a casa do “avô”… Por muito que se faça, a confusão não desaparece!
Eu explico: as obras de recuperação do lado direito da casa, começaram em Março de 2008. O nosso sofrimento, em fins-de-semana e/ou férias, foi aumentado à medida que o caos progredia. Ao ponto de quase termos abandonado Marvão… Um martírio… Uma saudade…
À frente da obra, está um senhor de tez muito, mas muito!, escura, baixinho, aspecto franzino e que nunca tem pressa: o senhor Mascarenhas!! É um humano muito sorridente, que diz “sim” a tudo, enquanto torce o boné entre as mãos… Sujeito estraaamho…
Em Julho deste ano, garantiram à dona que tudo estaria pronto em Setembro, pois já só faltavam alguns pormenores… Estamos no fim de Novembro, mas os tais pormenores mantêm-se!! Os dias tornam-se penosos com a rotina que se instalou.
Até meio de Outubro, éramos invadidos diariamente pelo carpinteiro, pelo electricista, pelo canalizador,… A acompanhar todos estes “técnicos” lá estava ele, o sr. Mascarenhas… Finalmente, estas visitas tornaram-se mais esporádicas… à excepção do sr. Mascarenhas!
Às oito da manhã, de segunda-feira a segunda-feira, o sino do portão bate, ouve-se o ranger do portão, uma chave na porta que dá para o jardim e surge a cara do sr. Mascarenhas: “Sou euuu!” (Um dos familiares da dona tinha-lhe deixado a chave da casa e ele estava muito renitente em devolvê-la!). Deve pensar que nos deixa felizes com este anúncio…
E o que faz o sr. Mascarenhas? Abre porta, fecha porta, desce a escada com um baldinho, sobe a escada com o baldinho, e abre porta, e fecha porta… Todo o dia!!! Pior, o “avô” tem “espanta-espíritos” em todas as portas… E se não são “espanta-espíritos”, são sininhos e guizinhos!!! Os chamados “ alarmes para filhos”. E com a porta a abrir e a fechar é só tlim, tlim, tlim, tlim… Todo o dia, sete dias por semana… Não há cão nenhum que aguente isto!!! Nem eu!
Privacidade e paz, só antes das oito da manhã e depois das oito da noite!!
Há cerca de duas semanas, a dona chegou da escola e ouviu grande alarido. Eu ladrava, ladrava, ladrava… Furiosamente!! O Nino e o Miro faziam coro!! Correu pelas escadas e quando chegou ao hall cá de cima…
O meu pêlo estava todo em pé, tipo Misha, ameaçadoramente, do pescoço à cauda. Fingia investidas nervosas em direcção à escada que dá para a porta do jardim. Ladrava e rosnava, mostrando os poucos dentes que ainda tenho… Bem, estava mesmo assustadora!! Eheheheh… O Nino e o Miro, um de cada lado, apoiavam-me: o Nino ladrava convincentemente, ao mesmo tempo que o Miro rosnava e uivava, rodopiando, feito louco!!
Protegido com a porta, tentando alcançar uma chave, do chaveiro na parede, estava o sr. Mascarenhas, em perfeito desequilíbrio no primeiro degrau da escada… Quando se esticava mais um bocadinho, a porta arrastava-o em direcção às minhas poderosas mandíbulas e o homem via-se grego para voltar a equilibrar-se…
Atrás de nós, cães ferozes, estavam os gatos, um pouco espalhados por toda a parte, seraficamente sentados, a observar toda a cena atentamente, em primeira fila! Acho que o que começou por ser curiosidade degenerou em grande divertimento. Eles sorriam!!! Um sorriso enorme, aberto, cheio de satisfação felina! Até que enfim, alguém se impõe!!
Ainda estou para saber o que deu à dona, sério!!! Primeiro, deixou cair a pasta… Depois deixou descair o maxilar inferior… Em seguida, foi acometida de verdadeiros espasmos… Era com dificuldade que evitava contorcer-se agarrada à barriga… Apendicite?? Seria dor?? A voz dela fez-se, finalmente, ouvir, mas de forma estranha: “PetraHaHaHaHa… PáraHaHaHa…”Emperrou por uns bons cinco minutos e “desculpe, sr. MaHaHaHaHa…caHaHaHaHa… renHaHaHaHaHa…”
Passava-se qualquer coisa, não? A meio de tantos “HaHaHaHaHa…”, em vez de segurar na minha coleira, desapareceu para o quarto dela… Ficámos todos siderados pelo espanto, com a cena… E só se ouvia, vindo lá de dentro: “HaHaHaHaHa… Eu não acredito! HaHaHaHa…” Isto, uma boa meia hora… E o homem no mesmo sítio, mal equilibrado, sem saber o que fazer!!
Resultado, quando conseguiu controlar-se, a chefinha veio ter connosco, mandou-nos para a sala da televisão, enquanto distribuía “presente” às escondidas, gatos incluindo (que já rebolavam com o ridículo da história) e disse para o sr.MaHaHaHa…caHaHaHa…renHaHaHaHa: “Sabe? Estou farta! A partir de agora, fica sem a chave. Quando decidir acabar o trabalho, combina comigo dia e hora! Já vi que a Petra e o senhor não se entendem… É melhor assim!”
E vai de “presente!! Tenho a certeza que apoiou incondicionalmente esta minha iniciativa… Já me devia ter assumido mais cedo!!
Temos andado em paz, desde essa altura, mas os “acabamentos” continuam por acabar… E eu, mal oiço o sino do portão, corro que nem uma cadela de raça considerada perigosa a ver se apanho o sujeitinho do baldinho… E a dona dá “presente”…
Adoro ajudar a minha dona!!!

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Binx, o demolidor!


Sim, é mau não ter ainda apresentado toda a família, isto à excepção dos juniores que ainda não mostraram as suas verdadeiras características. Estou mesmo muito velhota, é o que isto quer dizer…
O Binxas chegou com uma brava intempérie, no dia 30 de Setembro de 2007… O fim-de-semana ficou marcado por uma bela tromba de água que se abateu por todo o país. A coisa estava tão mal que o Nino e eu, para sairmos, tínhamos que ser, literalmente, empurrados para o elevador e, depois, para e pela porta do prédio, por uma humana enfurecida!!
Eram umas 10.00 da manhã e a chuva intensa não parava!! Ao passarmos por baixo de uma das árvores, existentes na praceta, ouvimos uns gritinhos… Olhámos para cima e deparámos com um felino preto, fininho, que nem miar sabia, apesar de parecer já adulto. Ainda hoje é assim: gritinhos, mais gritinhos, excepto se estiver a cortejar a Maria… Aí, é um pesadelo misto de gritinhos com uns sons estranhóides, que ainda não conseguimos entender!!
A dona suspirou: “Não olhem, meninos. Há-de ter dono, com certeza!!”
À tarde, o jovem continuava na mesma árvore, mas tinha subido alguns ramos, talvez a prevenir-se de uma eventual inundação… A dona voltou a olhar para o lado, mas custou-lhe…
Eram já 10.00 da noite quando voltámos a sair, ameaçados de morte, empurrados… e por aí fora. Enfim, o filme do costume...
O gato encontrava-se no mesmo local, mas cada vez mais alto… A chuva não abrandava nem por nada e ele só emitia gritinhos… A dona não aguentou: levou-nos para casa e foi buscar um escadote, resmungando entre dentes: “Só a mim, realmente… Só a mim!! Eles caem-me aos pés… Deve ser castigo!!”
A aventura, claro!, não terminou bem… Primeiro, o escadote era curto, pelo que a dona teve que trepar ao ramo mais baixo que, ainda assim, era bem alto. Segundo, a dona também não deve nada ao comprimento, mas lá se safou, nesta primeira fase… Terceiro, a escuridão era imensa e o sujeitinho muito preto…
Ao fim de uma “perseguição”, acesa e muito empenhada, pelos ramos molhados da árvore, lá o conseguiu apanhar e começar a trazer para baixo. Com tudo escorregadio, um gatarrão ao colo, a descer de uma árvore sem ver absolutamente coisa alguma, tenteando a ver se o escadote ainda lá estava, é mais que lógico que uma queda seria inevitável… E caabuuummm!, a dama aterrou cá em baixo, na relva enlameada, com um felino infeliz e ensopado nos braços e um pé torcido!! E muita sorte tiveram!!
O Binx é um lindo preto fininho, com um pêlo muito brilhante e pose muito aristocrática, muito, muito simpático!
Ficou no escritório da dona, nessa noite, e no dia seguinte foi ao vet. Segundo o parecer médico, tudo estava bem com ele, à excepção de uma otite bilateral provocada por ácaros. Dado o seu bom ar, pêlo brilhante, meiguice extrema e pouca idade (cerca de um ano), presumiu-se que estaria perdido…
Voltou de orelhinhas limpas e devidamente medicado e, imediatamente, a nossa almirante produziu uma série de cartazes para distribuir, à procura de uns donos que não deviam querer saber de nada... Como é óbvio, nunca apareceu ninguém…
O Binx ambientou-se lindamente. À parte os encontros imediatos com a Misha (e foram mesmo muitos!), foi muito bem aceite. Até achávamos graça àquele arzinho muito sorna… Só mesmo o “arzinho”…
Dedicou-se, logo desde o início, à remodelação do nosso domus… Ele atirava com tudo para chão, partia tudo, ia para sítios que não lembrava a nenhum de nós... Não dormia e não deixava dormir, sempre com invenções loucas! Aliás, era raro vê-lo sossegado ou a dormir!
Adorava, e adora!, molhar-se e sacudir-se em cima dos móveis, da cama da dona, dos papéis da dona...
Era uma alegria, de manhã até de madrugada: o ruído de objectos a caírem, um pouco por todos os sítios, os gritos da dona!, objectos a partirem-se, os gritos da dona!, água em todo o lado bem misturada com papéis importantes que, entretanto, juncavam o chão, os gritos da dona!, grandes cavalgadas pela casa, umas vezes à frente, outras atrás do Simão e da Maria... E a velocidade?? E os gritos da dona??? Até ficávamos zonzos…
Episódios daqueles de gatil/cuidados intensivos foram mais que muitos! Aliás, penso, um dia, se a vida assim o permitir, escrever uma monografia sobre o Binx e o Miro!! O nosso quotidiano nunca seria o mesmo sem ambos…
Ouso afirmar que este preto fininho é dos felinos mais felizes aqui em casa. Não mostra quaisquer sinais de stress… Aliás, ele resolve muito bem qualquer situação mais stressante com uma das suas ideias luminosas… Foi tirado da rua muito a tempo. Pelo bom feitio, pela meiguice e ingenuidade, quer-me parecer que tinha acabado de lá ir parar nesse fim-de-semana terrível, ou seja, não houve tempo para traumas, felizmente.
Em Marvão modificou-se um pouco, talvez por passar muito tempo no jardim. Anda mais calmo, mais sensato, mais adulto… As asneiradas têm sido em menor número, o que leva a dona a apalpá-lo, a ver se dói alguma coisa ou se tem febre, ao mesmo tempo que resmunga: “Não querem lá ver que resolveu adoecer?? Que vida!”
Engraçado: ela nunca mais se lembrou do AXN, mas nós não andamos a apalpá-la, nem a esborrachar-lhe o nariz, nem a pregar-lhe sustos de morte, a meio da noite, a ver se ainda respira ou o coração bate… Porque é que, sempre que decidimos curtir outra onda, temos que estar doentes??? Mania…
Agora, com a consciência mais tranquila em relação ao nosso irmão felino mais dengoso, já posso ir reservar o meu lugar no quentinho da cama da dona… Bem mereço, que a idade é muita e os ossos são mais sensíveis…

domingo, 22 de novembro de 2009

Chaka, o sofrido...


O frio instalou-se aqui nestas terras altas. Às cinco da tarde, já estamos todos em casa, pois mal desaparece o solinho, os graus Celsius vêm por aí abaixo… Todos?? Não, falta o nosso preto gordo, o Chakinha!
O Chaka decidiu “jantar” fora com uma certa frequência, o que, sobretudo desde o desaparecimento do Fausto, deixa a dona à beira de um belo de um ataque de nervos! E sai… E entra… E volta a sair de lanterna em riste… E entra de lanterna caída… E chama… E ameaça… Enfim, um show completo! Até que Sua Excelência chega… Nada apressado… Tudo numa muito boa! A almirante ainda abre a boca, para lhe dizer das boas, só que o espertalhão olha-a com aqueles enormes olhos amarelos sempre tocados pela ansiedade e ela acaba por recuar e pronto!
O “rapaz” chegou em Agosto de 2006. A Maria tinha desaparecido em pleno primeiro cio e a nossa matriarca ia deixando comidinha na porta do jardim, a ver se a convencia a voltar. A comida desaparecia e a Maria não aparecia!! Tanta choradeira que aturei… E deixou de comer… Pensou mesmo dormir no jardim, à espera… Ela, coitada!, não é muito normal, não!! E quando descobriu que a ração era consumida por um gato preto e não pela “menina”??? Beeeemmm…
E a Maria voltou ao fim de três dias… E o gato preto continuava a rondar a porta, esquelético, com barriga demasiado volumosa, quase sem pêlo. Metia dó, até porque estava coberto de crostas e a pelagem, rala e cheia de falhas, era mais cinzenta que preta.
O Chaka revelou-se muito inteligente. Inicialmente comia do pratinho deixado na porta do jardim, mas depressa se aventurou dentro de casa e começou a comer dos nossos, na cozinha. E inspeccionou, muito a medo, a casa toda… Deve ter-lhe agradado, pois aventurou-se ainda mais: passava as tardes deitado num dos cadeirões de vime, no hall do andar de cima, aquele que ocupamos.
A nossa dona, no Verão, costuma fechar a porta do jardim pelas 09.30/10.00 da noite e começa a tourada das entradas… Chama, vai buscar um a um, escapam-se outros, ameaças, pedidos comoventes para que entremos, subornos, enfim, um filme digno dos irmãos Marx! O Chaka apercebeu-se disso, pelo que a essa hora lá estava ele no cadeirão, mas de cabeça bem enterrada no almofadão tipo “Se ela não me vir, pode ser que me deixe dormir em casa!” E quem tinha coragem de o pôr na rua??
Foi ficando até que se aproximou o fim das férias. Ninguém o queria. Todos quantos foram contactados pela dona, responderam que não ficavam com um gato tão feio e doente, o que fez com que ela decidisse levá-lo ao vet e depois adoptá-lo.
Surpresa desagradável: as crostas eram queimaduras que lhe tinham infligido, brasas ou cigarros, origem impossível de determinar tal era a infecção de algumas… Os dentes do lado esquerdo de ambos os maxilares estavam partidos, possivelmente a pontapé, e havia outra infecção na boca… Os restantes dentes encontravam-se super gastos e presumiu-se que até pedras e paus terá roído para sobreviver… E ainda tinha uma grave infecção abdominal devido a parasitas…
Foram dias terríveis, com a generala revoltadíssima com os seus congéneres! Muitos impropérios ouvimos!
O tratamento durou meses, até praticamente ao Natal, e ele aguentou tudo! Tudo?? Não!! A Misha aterrorizava-o de tal forma que o Chaka, mal a via, gritava de horror! Preferia dormir comigo e com o Nino… Os outros intimidavam-no muito.
Agora, tudo está bem diferente. Os olhos, embora ansiosos, já não têm aquele pânico permanente. E já levanta a patinha para chegar nos outros… Sim, tem muitos problemas de saúde, pois a vida não o poupou, mas penso que, embora ainda se sinta receoso quanto ao futuro, está muito feliz! E tornou-se um belo felino! A cor é definitivamente preta, finalmente, e o manto tornou-se espesso e macio… Come que eu sei lá!! E tem uma particularidade: é o único gato que nunca sai para a rua sem tomar o pequeno-almoço!! Assim como assim, se a dona resolver deixá-lo, pensa ele, deixa-o de barriga cheia!!
E agora são horas de aquecer o meu lugar na caminha da dona!!!

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

O nosso dia-a-dia...


Voltei! Chega de interregnos lamurientos… Afinal, nós ainda aqui estamos, quer a nossa humana queira ou não…
Vou começar a falar do nosso dia-a-dia aqui, em Marvão, que é sempre uma animação. Já o era em Alfragide, mas aqui diz-se que há mais “qualidade de vida”. Eheheh…
As nossas manhãs começam pelas 06.00 horas. A dona, ainda a meio de um sono supostamente reparador, é acordada, não pelo despertador, mas pelo peso do olhar da população felina. É tão engraçado: embora estejam sentados, por todo o lado mas maioritariamente em cima da cama, em orientações diferentes, todos os olhares convergem para aquela figurinha adormecida.
Eis que acorda! Grande expectativa fervilha naquela divisão… Ficamos todos em posição para “arrancar”, mal ela ponha os pés no chão…
Leva o seu tempo: pega no relógio para confirmar a hora, resmunga que ainda não é de dia, que a queremos pôr mais louca do que já é, espreguiça-se e começa a tentar tirar as pernas de debaixo da roupa. Digo “tentar”, porque o Simão, o Binxas, a Maria, a Manchinha e o Mangas estão todos sentados em cima dela. Mais refilanço: “Estão com pressa, é? A morrer de fome?? Pois não parece!! Deixem-me sair…”
E recomeça o grande êxodo em direcção à cozinha… Ele são gatos à frente, gatos atrás, gatos entre as pernas… E gritos: “Saiam, bolas! Olha que eu caio… Querem matar-me logo de manhã??” E no meio da multidão de felinos e de toda esta confusão, segue o Mirinho, tentando passar despercebido…
A porta do jardim é aberta e nós, canídeos, saímos, O Nino e o Miro aos encontrões e empurrões, atropelando-se mutuamente, a ver quem sai primeiro, e eu mais devagar, pois já caio muito. As minhas pernas traseiras estão a ir-se… Maldita idade!
Reina a confusão na cozinha: Mangas, Chinha e Cinza atiram-se aos baldes de ração, o Chaka emite “renhaunhaus” muito vigorosos, o Binxas olha com aquele arzinho de sonso, o Simão aguarda dando marradinhas afectuosas, a Maria dá gritinhos e a Misha… Bem, a Misha ameaça todos!! E vai de “Young male” para a Misha e Binx, “Renal” para a Maria e O Simão, “Urinária” para o Chaka e “Júnior” para os três juniores..
O Mangas, sempre sôfrego e lambão, tenta correr os pratos todos e, muitas vezes, acaba fechado noutra divisão, senão nem come nem deixa comer, o safado! A dona senta-se no meio daquela prataria toda, a tomar o seu café e a controlar para impedir “trocas” de pratos e, consequentemente, de rações. O único ruído que se ouve é o mastigar agressivo de sete, às vezes oito, felinos… Ah, e os gemidos agonizantes do Miro, do outro lado da porta envidraçada que dá para o pátio… Agonizantes, porque está a perder o pequeno-almoço dos gatos, o gatuno!!
Comemos em seguida, tendo sempre direito a um “presente”, para nos enganar para o que vem aí, e segue-se a distribuição dos medicamentos a quem precisa (Miro, Binx que tem uma otite, Chaka e eu!), o que é outra guerra digna de ser coloridamente relatada! Acaba, então, de arranjar-se, anda pela casa à procura do que nunca põe em sítio certo e prepara-se para ir trabalhar. Pasta aviada, óculos escuros, chaves, resmunganço: “Nunca sei onde estão as coisas!! A situação cá em casa tem que mudar… Ah, sim, vão haver novas regras! A ver se este caos acaba!” Ok, já sabemos! Eu, pelo menos, oiço este discurso há mais de 11 anos!!
Esperamos horas infinitas que ela chegue, neste casarão enorme… A angústia instala-se a meio da tarde, pois a luz ameaça desaparecer e continuamos sozinhos…
Chega, finalmente! Estamos todos nas escadas principais, à espera, e fazemos-lhe uma recepção digna de um elemento de uma qualquer Casa Real… Vem cansada: “Parem, bolas! Esperem um pouco…”
Sobe, arrastando a pesada pasta de couro, com dificuldade (os degraus são muito íngremes e irregulares!) e no último andar, aquele que ocupamos, pousa o trambolho, despe o blusão e…
O ritual dos pratos, dos gatos e das rações repete-se e ela aproveita para se sentar um pouco…
Nós, infelizes cães, aguardamos pelo nosso momento especial: o passeio na serra…
Enfim, a melhor parte do dia! Serra, maravilhosa serra!! Corremos, corremos, corremos… O Miro parece um louco, calçada romana abaixo, calçada romana acima… O Nino trata de deixar a sua “imagem” para a posteridade, “marcando”, “marcando”,… E escurece… E arrefece… E eu já não me tenho nas patas… É a hora do regresso! E passo vergonhas: é que para baixo, todos os santos ajudam, mas para cima…
Começa a almiranta: “Vá, Petra, deixa que a dona ajuda, sim?” Que vergooonhaaa! Segura-me pela coleira, com muita gentileza, ela que é bruta que nem um calhau, e conduz-me até às Portas da Vila… Olho em volta e tenho sorte: ninguém está ali para ver estes sinais do meu declínio!!
Em casa, agora que estamos em Novembro e o frio prepara-se para se instalar em grande, a lareira é acendida na cozinha e os caloríferos na sala da televisão e no quarto que a dona ocupa. Os gatos instalam-se frente ao quentinho e a paz da noite abate-se neste casarão imenso… Nós jantamos, com direito a “surpresa” para compensar o dia de solidão e a dona dedica-se a tarefas domésticas ou outras.
Antes da deita, há nova distribuição de medicamentos e mais uma guerra de rações felinas e depois é a calma, o sossego absoluto.
Quem diria??

domingo, 1 de novembro de 2009

Há quanto tempo!!


Tantas novidades…
Nem sei por onde começar! Sim, fomos colocados no concelho de Marvão, nós na casa do “avô” e a dona numa escola… Só podia: afinal éramos o número 24 a nível nacional!!!
A vida parecia começar a querer correr bem, mas… Nunca é como desejamos!!
As nossas férias em Marvão têm início sempre na primeira semana de Agosto, mas este ano não aconteceu assim… Alguém se lembrou de vir primeiro, sem querer saber de nós que sempre viemos para cá nessa altura e pronto! Esses “alguéns” também não queriam que a dona viesse para cá por nossa causa… Chegaram mesmo a exigir que ficássemos no jardim e nunca dentro de casa! Mas o nosso “Avô” é o maior e impôs-se, defendendo-nos!!
Viemos a 14 de Agosto, um dia de calor infernal. Saímos muito cedo, mas como o Nhau-Nhau estava doente, tivemos que parar mais vezes para a dona controlar o estado dele…
A nossa felicidade quando chegámos finalmente era indescritível! No entanto, o nosso desejo por uma maior qualidade de vida tem vindo a ser cada vez mais ensombrado…
As obras não estavam acabadas… Não estavam, nem estão, pois aqui o ritmo é muito diferente!
Todos os dias (de segunda a domingo!), às sete horas e trinta minutos, entravam resmas de homens… Pedreiros, pintores, carpinteiros, electricistas… A dona andava, e anda!, numa fúria… Queria tomar banho, apareciam na única casa de banho que se encontra a funcionar, sem qualquer cerimónia. Bater à porta? Para quê? Era tudo deles!!
Até um dia!! Bem, nem queria crer no que vi e ouvi! A dona não costuma comportar-se assim… Fez-se um daqueles silêncios sepulcrais e a partir desse incidente meia população de Marvão aprendeu a bater à porta e a pedir licença, mesmo para respirar!!
Esta é uma sociedade muito machista… Mulheres não mandam… Mulheres não opinam… Não conheciam era esta faceta da nossa generala!! Agora não esquecem…
Agora, vem menos gente, mas há muita coisa por terminar. Enfim… Será que teremos, alguma vez, o sossego que a dona tanto desejava??
Tenho más notícias… A tal “qualidade de vida” tão apregoada ainda não se deu a conhecer…
A Maria foi atropelada, fazendo fracturas em quatro pontos da bacia e numa vértebra da cauda. Condenada ao isolamento para não deslocar os pontos de fractura, fez nova crise renal e esteve internada muito tempo numa clínica em Portalegre! Agora encontra-se benzinho, embora um pouco coxinha e corcovada.
O Fausto morreu segunda-feira passada… É melhor nem lembrar isso, porque a nossa dona anda muito sensível… Nem parece ela, a chorar pelos cantos. Sentimos muito a falta dele e ainda não conseguimos perceber o que se passou com o nosso Nhau-Nhau! Ficam os bons momentos…
Temos mais três convivas felinos, muito jovens e chatos. Por ordem de chegada são: o Mangas, a man(Chinha) e a Cinza. Estas duas últimas são irmãs, embora a Cinzinha seja tipo Maria: subdesenvolvida…
Animação não falta, mas fica para a próxima, prometendo ser o mais brevemente possível… Neste momento, encontramo-nos a fazer o nosso luto pelo Fausto, o que torna tudo muito melancólico. Não seria interessante fazer a descrição de quanto se passa aqui, de lágrimas nos olhos.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Uma pequena luzinha...


A Maria pediu comidinha há pouco! Pela primeira vez desde quinta-feira passada, demonstrou algum interesse em comer sem ser forçada!! A dona gritaria de alegria, não fosse o perigo de a stressar. O stress é um monstro temido neste domus!!! Mas aliviou, pegando no telefone e falando com a irmã veterinária…
“A Maria já comeu um pouquinho!”. Pausa. A voz perde um pouco da euforia. “Mas, é bom, não é??”. Pausa. A voz esmorece mais um bocadinho… “Não é um bom sinal?”. Nova pausa. Voz embargada. “Sim, ok, não devo ter muita esperança… Mas é bom, não é??”. Fim de telefonema. Sem comentários!!
Alimentar a Maria de seringa estava a tornar-se aflitivo. Deve ser horrível forçar comida pela nossa faringe… Eu não gostaria mesmo nada.
A nossa menina veio ontem ao fim da tarde, muito combalida, escanzelada e com uma ligadura para evitar sangrar do sítio onde esteve o cateter.
A primeira coisa que fez, foi procurar o conforto do Simãozinho… E o Simas foi uma desilusão!! Rosnou, bufou e bateu-lhe, virando-lhe as costas de seguida! O olhar dela foi de partir o coração. Ansiosa pelo refúgio de um pêlo amigo e quentinho, foi escorraçada por todos aqueles felinos arrogantes, até que se deitou sobre as costas do Nininho, que a deixou ali descansar. (O Nino é mesmo um Senhor!)
A dona quis dar-lhe colinho, mas de humanos estava ela muito farta, pelo que preferiu o apoio amigo deste meu companheiro extraordinário.
Dormiu, dormiu muito… E começou a guerra das seringas de comida e de antibiótico!! Um espanto, aliás como toda a nossa “rotina” diária!! Fraquinha, fraquinha, mas ainda estrebucha. O resultado é digno de ser filmado: e vai seringadela de pasta renal, e a Maria cospe… Em posição estão o Nino, o Miro e o Binxas!! E porquê?? Porque a comida sai disparada em várias direcções e eles dão mortais e saltos recorde em altura e lá vão “petiscando” perante os impropérios indignados da dona, horrorizada com semelhante oportunismo!!! Demaaaiiisss!!!
O mesmo acontece com o antibiótico! Embora aqui a matriarca tenha protestado e dito que prefere a modalidade dos comprimidos, ninguém lhe deu ouvidos e o resultado é este: antibiótico na camisola e calças da dona, antibiótico também nos cabelos e nariz, antibiótico nos meus bigodes, nas paredes e quadros, nas portas dos armários… O Miro, o Nino e o Binxas sempre em posição, apanhando uns quantos farripos… Pergunto-me: “Entrará alguma ínfima parte dos 2,5ml naquela boquinha minúscula, mas muito grande em teimosia??”
Tem sido um delírio!! Outro delírio foi a segunda ida do lelito à FMV para os tais exames. Foi com a mana veterinária: “Ah, o Miro comigo não brinca! Tu é que deixas o menino fazer tudo!! Vais ver se não se porta bem comigo… Ai dele!...” Eheheh… “Valente!! Sempre quero ver.”, pensei. (A discussão mana-Miro começou logo no patamar, junto ao elevador, e só se deixou de ouvir quando o carro arrancou!)
Pois… Deve ter sido um espectáculo! Quando chegou a casa, quase petrificámos de estupefacção: duas ligaduras nas patas da frente, uma azul “cobalto” e outra rosa “ácido”… Mais castiço que nunca, com as suas orelhitas espantadas, olhitos alucinados, sempre mexendo, sempre arfante!!!
Explicação: a coisa foi de tal forma que não conseguiram tirar-lhe sangue dos ditos membros, que ficaram com hematomas; só das de trás e com muita luta!! Nem soubemos o resto dos pormenores… Foi coisa brava, pelo ar ainda mais esparvoado do Mirinho! Irradiava felicidade por todos as célulazinhas!!!
Eheheh… Ontem, quando a dona se queixava era “Ele ainda é um cachorro!!” Hoje: “Olhe lá, lá em casa não há Xanax??”
Nunca mais teremos paz e sossego??

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Um dia de cada vez!!


As notícias não são nada animadoras!
A Maria foi esta manhã, mais o Micos, à FMV para uma segunda opinião… E ficou. O lelito voltou com a dona, mas ela não!!
O Mirinho tinha consulta hoje com o Professor A., para se ver se a medicação diária está adequada… Claro que não está, não é? Nós bem o sabemos porque somos forçados a viver com ele. Basta olhar para aquela maluqueira toda! E piora de dia para dia!!!
Continua a faltar a confirmação de quem pode dar-me razão: não pôde fazer os exames porque tinha feito a medicação das oito, pelo que volta lá, amanhã, com uma irmã da dona.
A dona contou-nos que ele se portou tão mal, tão mal, que não havia veterinário que não perguntasse: “Ele é sempre assim???”. Ainda bem que não fui, para não me associarem a este escândalo de canídeo!! Vergonha!
Estava lá uma doberman, internada, que chorava, choraaavaaa… O “rapaz”, sempre solidário com a dor dos outros, uivava, uivaaavaaa… Mesmo do corredor. Mesmo durante a consulta. E quando foi ao internamento, então, foi o show completo… Uma cantoria desgarrada, para mal dos ouvidos de todos quantos se encontravam no Hospital Escolar! Há, no entanto, quem esteja a pensar em realizar uma tour por esse mundo fora com os dois!!!
Em seguida, resolveu embirrar com alguém… E com quem?? Com o canídeo mais adequado, entre tantos que o rodeavam: um American Pit Bull Terrier!!! Preto! Enooormeee!! Que se lambia só de olhar para esta fraca figurinha… E o Miro de peito feito, claro, com a dona do outro lado da trela! As divisórias das boxes da consulta tiveram que ser fechadas, pois, antes que se desse algum “encontro” menos desejável.
As aventuras continuaram: atirou-se da marquesa, largou nas piruetas do costume e batia com a cabeça em todo o lado, chorou, uivou e quis adoptar um gatinho bebé… Sim, na mesma box estava uma ninhada de gatinhos brancos para adopção e o Mirinho fez logo amizade com um deles. Quando alguém pegava no menino, punha-se nas patas traseiras e ladrava furiosamente, só se calando quando lho punham à frente. E lambia o desgraçadinho com toda a alma!!! Da ponta do nariz à ponta da cauda…
Uma vez no estacionamento, “marcou” afincadamente cada milímetro quadrado, raspando as patas cheio de vigor, com certeza para provar que tamanho não é documento!!!
A Maria ficou a soro no internamento, tristíssima! Voltaram a tirar-lhe sangue e fizeram nova ecografia. Está confirmado: é mesmo muito grave. Não se faz ideia quanto tempo mais vai viver. Enquanto tiver qualidade, será um dia de cada vez… No momento em que se verificar que a qualidade de vida acabou, a dona terá que ser muito valente e dizer que sim, que chegou o dia.
Anda tão triste que até se tem esquecido um bocadinho de nós: só há pouquinho é que deu conta que ainda não tínhamos comido. Quanto a nós, limitamo-nos a olhá-la muito fixamente: pode ser que repare que também precisamos dela.
É-me difícil conceber a nossa vida sem a nossa Maria Mar! Muito difícil!!

domingo, 10 de maio de 2009

A vida não está a sorrir-nos!!!


A Páscoa até que correu bem! Ainda tivemos a sorte de poder saborear mais uns petisquinhos daqueles e foi óptimo!
A dona recomeçou a trabalhar loguinho a seguir e os nossos dias voltaram ao costume: esperar que ela chegue para termos companhia e atenção. Tem alturas que parece que nunca mais regressa… Chegamos a recear que cumpra as suas ameaças e se vá embora!!
Voltámos a Marvão no último fim-de-semana de Abril e foi estupendo, como sempre, apesar do tempo encoberto e de um certo friozinho. Marvão é sempre Marvão!! Muito passeio, muita brincadeira, muito petisco e a dona sempre connosco! E muita obra, com muito barulho!!
Mas tudo o que é bom, nem sempre dura, não é??
Estes últimos dias têm sido infernais! Bem, Abril também não foi bom, não é, com os problemas do Chakinha. Ah, é mesmo verdade: as análises deram negativo, ou seja, faz cistites idiopáticas!! Isto da idiopatia será contagioso??? Tudo devido a stress…
A dona, na outra quinta-feira, chegou doente. Entrou, olhou para nós e avisou: “Nem digam nada, ok??” Saiu connosco e a seguir meteu-se na caminha. O dia 1 de Maio foi palco de novo alvoroço (saudável!) à conta dos amigos SOS! As confusões com a comida continuam, o que não é mau, claro! Desta vez, tivemos menos sorte, pois a matriarca não estava quase em coma, como da outra. Mais atenta, impediu que fossemos apaparicados em demasia. Desmancha prazeres!!
Melhorou, vá lá, a tempo dos nossos grandes passeios de fim-de-semana.
Domingo começou com o Simão a vomitar… Lá foi a dona, em resposta aos seus chamamentos, dar-lhe assistência. Não era nada de grave!! Comeu demasiado rápido, o glutãozinho!, e sentiu-se mal.
O Miro não parou. Andou o tempo todo num frenesim de bradar aos céus... Conseguiu, entre os muitos incidentes que marcaram o dia, um feito inédito: entalar a pata debaixo da porta do elevador!!! Gritou, gritou, gritou… Como é que ele consegue estas coisas, ninguém entende!! A idiopatia foi tanta que nos saturou e o Simão bateu-lhe com toda a razão.
A dona, no entanto, estava apreensiva. Comentou com o “Avô” que “…oxalá o rapaz não me esteja a preparar nada.”.
Era meia-noite, quando o "rapaz" teve uma crise convulsiva. A tia Mena veio ajudar a nossa humana a administrar o Stesolid, pois o Micos estrebuchava tanto que só uma pessoa não consegue. E, pior, como ouvi comentar, todos parecemos “mirones” em acidente de auto-estrada: queremos muito apoiar o nosso amigo mas somos logo corridos.
E acalmou. Adormeceu e pudemos sossegar!
Sol de pouca dura!! Às duas e meia da manhã, nova crise. A dona, de ampola de Stesolid em punho, saiu com ele e só voltaram quase às sete da manhã!
O Miro vinha tão calmo, tão aos tombos, que receámos o pior: “…é desta que ele atina!”. Não, o impossível é normalmente impossível mesmo!! Está louco e hiperactivo na mesma, embora tenham aumentado a dose diária de fenobarbitol. Será que este é o medicamento certo? Dizem que é um sedativo, mas não vemos quaisquer resultados…
E quando íamos entrar de fim-de-semana, começou o drama da Maria! Quinta-feira vomitou muito de manhã. Não quis comer, o que é muito mau sinal. E deixou que a dona lhe pegasse, nunca tentando fugir, e a massacrasse com festinhas…
A estratégia do pedacinho de queijo, não resultou, pela primeira vez, nem a do geladinho “natas e caramelo” que ela adora, o que decidiu a dona a entrar em acção. E saíram as duas.
A Maria não voltou nesse dia, só na sexta-feira, ao fim da tarde.
O rim esquerdo dela atrofiou e deixou de funcionar e nunca mais servirá para nada. O outro está cheio de pedras e o perigo de bloquear é enorme. O veterinário não deu grandes esperanças, não… Falou na possibilidade de uma operação, mas não a aconselhou dado haver 50% de probabilidades de ocorrer a falência deste único rim. Só a nova dieta poderá ajudar a dissolver as pedras para voltar a funcionar normalmente.
O único problema é a Maria não querer comer!!!

domingo, 12 de abril de 2009

Páscoa é muito boooommm!!


Fomos a Marvão, no fim de semana. Só no fim de semana, já que a casa continua em obras!! Estamos ainda a dormir e entram estranhos, muitos, para fazer montes de barulho… E nós ajudamos, oh, oh… Ladramos furiosamente atrás da porta que isola os quartos, rosnamos muito profissionalmente… e somos agredidos com pantufas, almofadas, roupões, tudo o que estiver à mão… E captam-se gritos abafados, como se alguém tivesse a cabeça dentro dos cobertores, ou assim… “Petra, senão te calas, passas por cabrito para a Páscoa!!! Sim, porque o Miro nem para coelho bravo dá!” Afinal, nem são oito da manhã!...
O objectivo é alcançado: o movimento deste lado, começa. Idas e vindas repletas de recriminações e ameaças, levam-me ao êxtase!! Tudo isto só e sempre quer dizer uma coisa: vamos passar o dia inteiriiinhooo fora de casa!
A primeira etapa é ir ao café. Adoro! Enquanto a chefinha toma o dito estimulante para acalmar, eu estou no paraíso… Eu e a minha pedra, acabadinha de apanhar! Ninguém que passe por ali resiste aos meus apelos para que a atirem... Pelo menos uma vez! Eheheh… Vida boa!!
Compramos os queijos no sr.B… Queijinhos bons de vários tipos… Picantes e não picantes… Para o avô, para a amiga SOS nº1, para … Porque é que a dona não gosta de queijo??? Será castigo? É que eu adoooorooo!!!
Espanha! Adoro ir a Espanha! Por onde ando, só oiço: “Guapa!!, “Muy guapa!!”… Enfim, o que tem que ser… Passeamos, cheirinhos novos em cada esquina, o Nino e o Miro engolem tortilha de batata nas esplanadas, eu encontro uma pedra novinha em folha, … Qualidadeeee!!!
E a quinta??? Não sei de que estão à espera, sinceramente. Mas fomos lá três vezes!! Tanto espaço, tanta pedra, tanta ribeira… tanto calor! Um cansaço louco!!! Corremos, brincámos, corremos… Foi mesmo uma correria infernal! A certa altura tive que procurar uma sombrinha para me deitar. Isto da cabeça ser nova, mas o coração velho, é muito injusto!
O jantar de sexta-feira foi muito pobrezinho: um vulgar bitoque, mas o almoço e o jantar de sábado… Ao almoço foi borrego assado com batatinhas fritas… A salada dispenso! O jantar foi divinal: topos de porco de montado alentejano… Ainda salivo, tão saborosos estavam. Que escolha de qualidade, que confecção digna dos deuses!!! Domingo, sandes de carne assada e mai nadinha! Pindéricos! Não querem viajar pesados, dizem… Podem sentir-se mal dispostos, afirmam… Sobretudo ela, que volta e meia enjoa!!! E anda tudo às suas ordens, caramba. Então, e nós??? Somos cães???
Apesar de tudo, continuamos num quase céu: a Páscoa ainda não acabou! O Mirinho pensava que só se celebrava o Natal e o aniversário da dona. Desconhecia que há outras ocasiões e a surpresa ainda o pôs mais idiopático, se é que tal é possível. Nem dorme, o palerma, só a pensar no que está guardado no frigorífico.
A dona trouxe cabrito para o almoço de Domingo e desde aí que o desgraçado do lelito guarda zelosamente a cozinha. Ele, a Maria e o Binxas tecem planos para um assalto perfeito, mas cheira-me que desta vez não terão sorte nenhuma!
Já houve bronca, mesmo com todos os cuidados da nossa matriarca. Esta tarde, ouviu-se um estrondo, vindo da cozinha e corremos todos para lá. Todos? Não!! Faltavam a Maria, o Binx e o Mirito, claro! Então, o que tinha acontecido?
A Maria conseguiu cair dentro do saco do lixo, sabe-se lá como, já pronto para seguir para os contentores, e este, por sua vez, caiu do sítio onde a dona o alcandorou!! O Binx, do parapeito da janela dava-lhe apoio moral: “Vá, Maria, vai lá, que eu vigio!! Amigos para sempre, ouviste?”. O Miro aguardava pacientemente pelo momento da “partilha” do produto…
A dona, sem ainda se ter apercebido da dimensão da afronta, pega no saco e… sai de lá a Maria toda “embrulhadinha” em restos de folhas de grelos, cascas de cebola, tomate e, para dar o toque final, montes de maionese… Beuhhh… Que nojeira! E o espalhafato, com ameaças de despejo, “…não, tenho melhor, minha menina: asso-te juntamente com aquele cadáver que ali está, coitadinho!!!” A parte do “coitadinho” derrete-me! Foi um drama rápido, pois havia muita coisa por fazer, começando por "limpar" a Maria.
O cabrito já assou, mas o Miro continua deitado frente ao forno, feito parvo, a “comer” o cheirinho que de lá sai… Acho que vai ali passar a noite, na ilusão. Ainda não percebeu que seguirá tudo para casa do “Avô”? É sempre o destino de tanta iguaria.
Estou a ser injusta, pois desde ontem que andamos todos a celebrar. A dona fez um arrozinho de miúdos de cabrito cá para o pessoal que até faz vir lágrimas aos olhos… E aqueles pedacinhos de queijo de Nisa que se derretem na boca??? Huuummm…
Amanhã, pode ser que haja mais um festim para nós…

quarta-feira, 1 de abril de 2009

A idiopatia grassa por estas bandas!!


É verdade! Esta casa está amaldiçoada… Ou então, o problema vem aqui da chefinha…
O Chaka adoeceu no Domingo à noite! Acordou a dona de madrugada, com muita dificuldade, já que ela é muito profissional em questões de sono e conseguiu convencê-la a segui-lo. E lá foi ela até à casa de banho… E ouve-se um berro: “Chaka, lindo, dói muito??? A dona ajuda!” Ajuda em quê?? Só se for a limpar aquele sangue todo!, pensei eu… Ah, quando encontrou os óculos e finalmente chegou ao sítio, deparou com lavatório, bidé, banheira e chão cheios de sangue…
O Chakinha está com outra infecção urinária e consequente obstrução das vias! E deu-se a cena do costume: no dia seguinte, VET! O desgraçado, mal viu a transportadora, ficou cinzento-escuro! Sim porque ele é preto…
Estamos à espera dos resultados da cultura de urina: se derem negativo é porque o rapaz faz cistites idiopáticas… E terá que ser medicado para o stress… com Valium! Nem queria acreditar quando ouvi… Olha outro! Em breve, seremos muitos!
Já estou a ver: o Miro e o Chaka, em fila, a receber os medicamentos. Sim, porque se são idiopáticos, têm que se drogar e, pelos vistos é bom: o Miro, à horinha certa, lá está a lembrar a dona. Assim do estilo “ Vá lá, minha… Venha a dose!” Quando forem os dois, nem quero imaginar! Mais dia, menos dia, virá a fase da metadona, não???
Tem sido infernal. O jovem veio de “colar” e algaliado… Se já não dormíamos com a Maria e o Binx, agora com aquele roçar, os barulhos a bater em coisas e o Miro a ladrar-lhe, é um must! Mete pena vê-lo naquela figurinha, morto de medo da Misha e furioso com o lelito.
Penso que a idiopatia deve ser genética pois vi a dona a marcar um número de telefone no comando da televisão e quase passar-se porque o telefone está avariado… Isto depois de ter reparado que se tinha esquecido de nos alimentar… Sim, se fossem os gatos, não se esquecia…
Temos vagas, no concelho de Marvão!! Estamos expectantes: há grande probabilidade de sermos colocados, nós na quinta, ela na escola!!! A única hipótese de salvamento, para nós, é mesmo ir embora antes que a almirante se passe de vez!
As aventuras com o elevador têm sido mais frequentes. Eu explico: quando chegamos da rua, à noite, a dona só pensa em deitar-se e vai logo para o dito transporte, com o Nino e Miro pela trela. Eu adoro ir bisbilhotar para a porta da frente. Há que ter tudo sob control!!
Os meus companheiros de casa entram logo, a dona carrega para o nosso andar e chama-me. Normalmente, demoro a vir, mas há vezes em que nem dá por mim a juntar-me aos outros. É aí que começa a odisseia!!
Furiosa, larga as trelas e vai buscar-me, deixando fechar a porta do “hermético”. Eheheh… Sem dar tempo a que descubra que já estou a bordo, a zelosa máquina segue impiedosamente para o seu destino! Ouve-se um gemido e “Petrinha, a dona já vaiiiii!!! A dona é amiga!” E corre pelas escadas! Se tivermos sorte, ficamos parados no sítio certo até que nos alcance, mas alturas há em que chamam para outro andar, ela chega e, “ A dona tá a iiiiirr! A dona é amiga!”, lá vai ela! Que embaraçante!!
E não pára por aqui: a pessoa que chamou, ao ver-nos, decide devolver o elevador para o rés do chão… E ela, que andou de andar em andar, esbaforida, apercebe-se e galopa pelas escadas, sempre a incentivar a nossa calma, a nossa confiança nela… Quando nos encontra, é pior que a chegada dos contingentes militares do Iraque!!
Admira-se de andar cansada,,, Pudera, com este desperdício de energia!
Parece que vamos a Marvão, este fim de semana. Só o fim de semana… As obras…
Quantos dias faltarão???

quinta-feira, 5 de março de 2009

Maria, a esquiva. Maria, a caçadora... Maria, a ladra!


O nosso descanso nocturno acabou. Extinguiu-se! Kaput!!
Não, não é só o vento. A intempérie até que tem corrido bem… Apesar do frio e do desagradável que está para passear!
A paixão do Binx pela Maria está muito exacerbada. E a Maria é uma oferecida! Ele mia, chama-a, morde-lhe o pescoço e ela deixa e arrulha e isso. Claro que o Binx se entusiasma e abusa: aí ela assanha-se, rosna, mas não se afasta muito, não. Mas nós não nos importamos. Ou não nos importaríamos se o grosso do namoro fosse de dia…
O Binx, teimoso, decidiu que à noite é mais romântico, mais privado… E chovem os chinelos da dona, os peluches todos e ainda as almofadas da cama. E a cena dura, dura, dura… Os chinelos, os peluches e as almofadas são apanhados, mas novamente arremessados, num crescendo de fúria... E ninguém dorme!! Será que ainda não descobriram que estão esterilizados???
A Maria foi acolhida em Agosto de 2005. Muito pequenina, desidratada e esfomeada, foi retirada de uma casa devoluta (a proprietária faleceu) em Marvão, onde se encontrava há dias sem comer ou beber… Foi um salvamento célebre! Inesquecível, mesmo!! Meteu GNR, amigos, primos da “falecida”, funcionários da pousada e alguns hóspedes… Imagino o aparato! Mais um momento embaraçante!!
É uma gatinha cinzenta tigrada, de olhos ora amarelos, ora esverdeados. Não cresceu muito, talvez por não ter tido a mãe muito tempo: tinha 15/20 dias quando a adoptámos. Foi baptizada Maria Ibn Maruán, em homenagem ao fundador de Marvão.
O primeiro, e penso que único, objectivo da Maria (na altura não se conseguia perceber se era menina ou menino) foi seduzir o Simão!! Paixão assolapada e duradoura, logo ao primeiro olhar. Mal recuperou as forças, era ver aquele “ratinho”, dedicadamente, sempre atrás dele, a brincar com a cauda dele, a dormir a poucos centímetros dele, sempre à espera de um convite de aproximação... E conseguiu um belo pai adoptivo!!
A Maria só vê o Simão… quando não anda na parvoeira com o Binxas. A rapariga é muito “oferecida” com os machos, sejam os seus ou os meus congéneres. Com a dona não quer grande coisa. Olha-a sempre a uma certa distância, com curiosidade do tipo “De onde virá semelhante ser?”, só se aproximando quando é hora de comer, ou quer beber água (mas no lavatório da casa de banho), ou se a dona tem comida "caseira" entre mãos…
Há um dito cá em casa: “ A Maria, quando caça não rouba… Quando rouba não caça…” Aplica-se a Marvão o não roubar porque caça, e a Alfragide o não caçar porque rouba tudo o que pode! Como é que um bichinho tão pequenino consegue ser tão mortífero??? Tão rápido e sorrateiro?? Tão.. tão... felino???
A jovem é muito determinada e de valores muito felinos. O Simão é o seu mentor, o seu guru, nós, a sua família querida e a dona é uma humana perfeitamente dispensável, não fosse a necessidade de comer à borla, de abrir uma torneira para beber ou acender o calorífero nos dias frios!
A Maria é o verdadeiro GATO cá de casa. Felina até às profundezas da sua alma.
É bom viver com alguém que tem a certeza do que é!!

domingo, 1 de março de 2009

Mais um fim-de-semana!


O dia começou com o ritual do costume: despertador, televisão, gatos, café e aqui, como é Domingo, a dona foi ver o mail dela, saboreando o café e o ruidoso mastigar dos gatos… A certa altura deu um pulo e quase que tenho a certeza que ia dar um berro, só que se lembrou serem seis e meia da manhã pelo que estacou de boca aberta e olhos redondos de euforia: vamos avançar para o contrato de promessa de compra e venda!!! E é AQUELA!!! A das pedrinhas e da água!!!
Desapareceu, com o computador e uma série de papéis. Desapareceu durante cerca de duas horas, o que não é normal ao Domingo, a seguir ao nosso passeio, e, quando voltou, vinha corada e de olhos brilhantes, muito bem disposta. Gostaria que me contasse o que anda a preparar. Se calhar conseguia dar-lhe uma ajuda…
Anda mesmo muito misteriosa… Até parece que não pode confiar em nós. Uma coisa percebi: vamos a Marvão, no próximo fim-de-semana!!!
O dia esteve feio, chuvoso… Soube bem, estar na sala, com o calorífero aceso…
O Miro esteve particularmente impossível todo o dia! Correu atrás dos gatos, levou do Nhau-Nhau, roubou a torrada da dona, enfim, esparvoado como sempre… E sempre a desafiar-me!! Como se eu pudesse! Acho que, com tanta maluqueira, vai ver o “jornal” com imensa intimidade! A generala já pegou nele umas duas vezes, com ar suficientemente ameaçador…

O rapaz ganhou qualquer coisa na Arca de Noé... Duvido que tenha sido um concurso de beleza... Ou de obediência!! A dona diz que ele é o "Animal da Semana"... "Animal da Semana", sóóóó??? De todos os dias, horas, minutos e segundos de pulos, quedas, correrias desenfreadas... E antes de dormir ainda levará com a imprensa, não tarda mesmo nada!!
Ontem, de manhã, estava numa sessão de luta greco-romana com ele, enquanto a dona se arranjava para sairmos, quando, de repente, as forças fugiram-me, a minha pouca visão se foi… Quando dei por mim, muito azoada e cansada, a Chefe estava em choque, a tremer e a dizer: ”Já passou, linda! Já passou! A dona está aqui!”. Nestas alturas, sabe-me lindamente ouvir estas palavras.
Não me lembro de nada, sentia apenas um enorme cansaço. E preocupação: ela tem muita dificuldade em lidar com estes achaques que me acometem, quando menos se espera…
Vai ter que se mentalizar que nada é eterno! Então, ainda não reparou que estou muito velhinha?? A cama dela está cada vez mais alta e os bancos do carro cada vez mais distantes… É humilhante precisar de ajuda para subir seja para onde for! Fico danada, incomodada, mas é cada vez mais frequente.
Corro, adoro correr, mas ao fim de um pouco tenho mesmo que me deitar! E agora virá o calor… Calor é bom, mas põe-me de rastos. Como gostaria de acompanhar o Mirinho nas suas corridas frenéticas… Ele bem me convida, mas finjo que não me interessa e faço como o Nininho: simplesmente passeio, cheiricando aqui, cheiricando ali… Sem nunca dar parte de fraca!!!
Quando chega o fim-de-semana???

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Vamos lá entender estes humanos...


O Carnaval veio, o Carnaval foi… É uma interrupção muito curta, quando há tanto para viver e fazer, ao ar livre… Nas imensidões…
Fomos a Marvão no sábado. A viagem até que não correu mal, embora o Chakinha sofra sempre um pouco e nos ponha a sofrer com ele. O mau feitio também veio, para não andar a bater nos outros durante a nossa ausência.
Os planos eram visitar “quintinhas” e regressar na segunda de manhã. Porque a casa dos “avós” está um horror com as obras, porque há muito trabalho à espera, porque…
Que interessa? Estava em Marvão!!! Onde melhor se pode estar? Andamos sempre na rua ou no jardim e não entre quatro paredes, a morrer de tédio.
Domingo de manhã, saímos para ir ao café e depois foi uma loucura: muita casa em franca decadência, muito terreno sem qualquer atractivo… Até que chegámos àquela!!! Muito espaço, muita pedra, muito sol… E quando descobri a ribeira??? Os meus olhos humedeceram-se e a pedra linda caiu da minha boca. O meu coração parou em êxtase, a minha respiração desacelerou, um calor húmido invadiu-me… Tanta água, tanta pedrinha no fundo…

Quedei-me, estática, pedra tristemente esquecida entre as minhas patas, babando-me de felicidade!
ELA estragou tudo com um curto e seco “nem penses, menina Petra!”. Fogo, desmancha prazeres!!!
Demos a volta, subimos e descemos, e sempre muita, muita pedra e a grata recordação daquela aguinha tão boa, tão convidativa.
E a visita acabou… Almoçámos, depois de umas peripécias em Espanha, e eis que aparece o “tio” Miguel! Eheheh, só podia significar coisa boa…
E era: voltámos ao meu paraíso! E explorámos o mais que podíamos, a dona corada e os olhos brilhantes de contentamento como há muito não a via!

Foi uma noite descansada, diz ela, connosco (eu, Nino e Miro) completamente mortos para o mundo, imersos nos nossos sonhos e gemendo de cansaço... Sim, e então depois de um compensador petisco, era o que nos restava... Vida boooaaa!!!
Segunda-feira ainda fizemos mais visitas, mas os nossos passos levaram-nos, mais uma vez, àquele sítio tão agradável com um dos irmãos da dona. E explorámos mais e mais. Explorámos tanto que o Mirinho se lembrou de cair de um dos muros… para o lado errado, claro! Este cão não existe mesmo!!! E era vê-lo aos saltos, do outro lado, até que conseguiu trepar sozinho e entrar, todo vitorioso! Deve ter a mania que é canguru.
O Nino descobriu “bicho” (ovelhas), em duas propriedades adjacentes e a sua vocação de “cão-pastor” revelou-se em força! A dona diz que lhe vai oferecer uma ovelhinha no Natal, para ele cuidar…
E descobrimos vestígios de raposas… Belo, mais confusão!!! O nosso futuro será: “Ai, onde anda a Maria? (busca frenética)”, “O Binx foi comido, de certeza! (choro convulsivo)”, e todos numa muito boa… Nem quero pensar, a sério! Há uma vantagem: não teremos vizinhos a ouvir: “Bolas, Fausto, acaba com isso que estou cansada!”, “Meninos, não quero nenhum a tomar banho comigo!!!”… Até coro!
E agora estamos aqui, sem saber de nada, se compra, se não compra… Vamos lá entender estes humanos!

Eu já lhe dei a perceber que É aquela e acho que até se deverá chamar “Quinta da Petra”…

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Há aqui coisa...


Huuummm, paira qualquer coisa por aqui… Ainda não entendi bem o que é mas parece-me que andamos a procurar casa na zona de Marvão. Talvez nem seja bem uma casa pois tenho ouvido a dona a falar ao telefone com o irmão Fernando e a palavra “quintinha” surgiu diversas vezes.
Vai-lhe lendo o que descobre na net e eu, deitada bem juntinho a ela, escuto atentamente! Sim, tenho que salvaguardar os nossos interesses, não??
Há uma propriedade que parece estar a tocar-lhe no coração. E pede a opinião ao irmão… Então, e eu??? Não sou tida em conta porquê?? Afinal, sou parte fundamental da vida dela e muito interessada no nosso futuro!! E é comigo que ela vive…
E vai dizendo: “A área é grande. Tem um bom campo de cultivo…” Cultivo? Para quê? Espero que não esteja a pensar em pôr-me a puxar um arado… Ou o Nino a plantar cebolas… Estou mesmo a ver: de madrugada, aos gritos: “Meninos, hoje é dia de apanhar azeitona!! Toca a levantar! O rancho é depois das 10.00 horas!” E nós, os nove, ensonados, em jejum e em fila, quase a desfalecer de fraqueza, atrás dela, com as sacas e as cestas e as varas e…
Nãããããoooo!!! Nunca! Quero é que me diga uma coisa muuuiiitooo importante: tem pedras ou não tem pedras???
“Diz aqui que a área total é de 13500 metros quadrados…” Vá lá, passa à frente e vê se tem pedras… O resto não interessa. Ou há pedras ou, se formos para lá, faço-lhe a vida num inferno…
“Não, não diz a área do terreno de cultivo mas pela fotografia parece grande.” E ela a dar-lhe com as batatas e os pepinos outra vez, bolas. Passa à frente, por favoooorrr… E pedras? E restaurantes para o Nino?? E andorinhas para a Maria??? Vamos ou não ser todos muito felizes para sempre?
“Tem furo e electricidade e o terreno de cultivo confina com uma linha de água…” Linha de água?? Água??? Fixe! Isso é muito booommm… E as pedras? Não está aí nada sobre pedras?? E toco-lhe no braço com a minha pata. “Está quieta, Petra! Deixa a dona descansada!” É sempre a mesma coisa: não quer nunca ouvir as minhas sugestões…
“Não, o resto do terreno é agreste, com pedregulhos e alguns sobreiros…”
Pedregulhos? Vem de pedra, não é? Há pedras!! Há pedras e água!!! Compra, compra esta, pleeeaaaseee, imploro-lhe com os olhos, pondo-me de pé bruscamente, a abanar a minha lindíssima cauda… É ouro sobre azul, não vês???
“Já combinei com o vendedor: vou lá no Carnaval ver esta e outras propriedades que assinalei!”
Yuuupppiii!! Vamos sair daqui, vamos a Marvão… Belo, tenho que contar aos outros!
O que não percebo é porque é que vamos ver mais “quintinhas”… Eu já escolhi, para quê cansarmo-nos? Estes humanos são pouco racionais…

Ainda falta muito para o Carnaval???

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

E chove!!


E chove!
Chove, chove há dias. Bolas, que seca!
Aos fins de semana vamos sempre passear a dona, assim para o Jamor, ou para Sintra, ou… Há quanto tempo?? Compreendo que lhe seja muito desagradável passear com este tempo mas para nós o que interessa é a rua. Sair é sempre booommm, mesmo que chova! O Nininho não tem a mesma opinião, mas eu gosto…
E quando chove, a Misha fica uma fera! E quando chove, a dona passa-se! E quando chove, não há muito que fazer num T2… E quando chove há sarilho!! E chove mesmo há muito tempo!
Estava um lindo e gostoso pacote de bolachas recheadas de chocolate, na bancada da cozinha, quando a dona teve que sair para visitar o “avô”… Ficou mesmo decidido que devemos ter mais pacotes destes em casa, para estes dias tristes em que ficamos sozinhos. As bolachinhas aquecem-nos a alma, tiram aquela sensação de desconforto enquanto se desfazem na nossa boca… Bem, o Nino e o Miro engolem!!
Continuando: bolachinha boa, crocante por fora e cremosa por dentro… Manjar de deuses, só pode! Um regalo para todos.
O pior foi depois: ainda pingávamos chocolate e saliva das nossas mandíbulas e o “alguém” que vive connosco chegou… Viu aquele disparate todo de cartão e migalhas e baba, respirou fundo e, antes que começasse, instalei-me no sofá. Assim é menos cansativo e vejo tudo.
“Isto é demais!”, “Esta casa está um caoooss!”, “Petra, minha menina, estás feita!!”, “Tu, Miro, e tu, preto fininho, nem imaginam…” (o Binx, sempre iluminado, tinha partido um prato ao tentar roubar o bolo de noz…), e por aí fora. Nada de novo.
E o lindo visual da cestinha dos gatos, quer dizer da Misha??? Palhinha por tudo quanto era chão… Olhos a saltarem das órbitas, espuma a sair pelos cantos da boca e: “Miiirooo!”… Nesta altura, já o Miro está no quarto muito sossegadinho na sua caminha, que só ocupa em situação de crise!
Esta manhã custou a levantar. A todos. Os gatos não se mostraram muito entusiasmados nem com a ideia do pequeno-almoço. Todos encostadinhos uns aos outros e a ela, huuummm, é de desconfiar. Pressentiam, com certeza a estupidez de dia que íamos passar, com ela agarrada aos malditos papéis e aos berros: “E vale a pena?”…
Estou a ficar muito velhota e ainda me entusiasmo menos que eles. Quis saltar para a cama da dona, mas as minhas pernas não estavam nessa. Ando muito rabugenta. E exigente! E refilona!! Quando quero seja o que for, se ela não me dá logo, faço uma choradeira tal que atinjo o meu objectivo: “alguém” se levanta apressadamente: “Pronto, Petra! Chega! A dona dá.” Adoro esta frase “A dona dá!” Saborosaaaa!
Segundo as más-línguas, passo as noites a fazer “uuooommm”, “uuooommm”. Que querem? Dói-me o corpo todo, não me sinto acomodada de maneira nenhuma e tenho que vocalizar o que sinto. Até encontrar uma posição confortável… O Simão também faz alarido, quando vomita e eu não refilo!!
A tia Paula telefonou ontem a dar a notícia da Shakira e ficámos mais cinzentos que o dia…
A generala entrou numa imensa paranóia e andou a apalpar-nos a ver se tínhamos febre e chateou, chateou, chateou! Que pancada esta mulher tem. À noite, apanho cada susto quando acordo com uma mão no meu coração a ver se ele bate e outra a esborrachar o meu delicado nariz a ver se respiro… Ainda tenho um enfarte!
Depois de um desentendimento entre a Misha e o Simão, a paz instalou-se e tudo dorme. Menos eu. Ah, e o AXN, claro!
Hoje, até estou a estranhar: o Binxas está a dormir encostado à dona. Parece que esta noite vai intervalar um pouco na paixão avassaladora pela Maria. Tem sido um inferno: não a larga, emitindo aqueles ruídos que inventou agora e a moça rosna e assanha-se e vão contra portas e estantes… e tirem-me daqui!!!
Quando é o Verão??

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Nino, um senhor!


Que manhã!! É mesmo para esquecer…
Ontem, quando nos viemos deitar, a dona só dizia: “Ai, se não ouço o “estridente”, meninos! Estou feita!!” Anda muito em baixo: a “avó” saiu agora do hospital, onde esteve uma série de dias, e entrou o “avô” para os cuidados intensivos… Não, garanto que a dona não teve nada a ver com isso!! Nada, mesmo! Foi o coração, que está velhinho como o meu.
Despertador? Para quê?? Caiu um trovão daqueles que acordou o mundo inteiro! Aliás, ela nem imagina, mas quando vimos o clarão, saltámos que nem relâmpagos para a cama dela, apavorados!! Bem, e debaixo de nós, ocorreu um verdadeiro sismo: ELA!!! Sentou-se muito de repente e gritou: “Nino, a dona tá aqui!”
O Nino também já lá “tava”, tremendo que nem gelatina na noite de sábado, com aquela intempérie toda, a tentar proteger-se com o edredon. Maricas!!! Tremeu, gemeu, levou montes de beijinhos, sempre muito abraçadinho… O Nininho entra completamente em choque com trovoadas ou fogo de artifício. Os outros têm medo, mas não ficam assim. Eu sento-me, excitadíssima, e zango-me imenso com aquele barulho todo.
Às vezes, interrogo-me como conseguiu ele sobreviver na rua. Houve trovoadas de certeza. Quem o abraçava e dava beijinhos??? E dizia: “Tudo bem. Já passou, lindo.”?
O meu maior amigo e grande companheiro é o Nino, que chegou em Novembro de 2002. Há já algum tempo que o conhecia, por vir atrás de mim, e bem depressa começámos a brincar. Havia alguém que fingia olhar para o lado para não o ver… No dia em que se meteu com um rottweiler e ficou pendurado pela sua farfalhuda gola, é que “alguém” se decidiu a levá-lo para casa!
Correu bem. Sim, pode-se mesmo dizer que correu muito bem! Só no elevador é que aquela “ génio” se lembrou que tinha três lindos e valentes felinos! Entrámos e o Nino, quando viu os pumas encostou-se à porta do armário da sala, a proteger as traseiras. Algumas bufadelas e rosnidos depois, o Simãozinho, aproximou-se dele e deu-lhe uma marradinha estilo "boas vindas". E ficaram amigos para sempre! Sinceramente, até enjoa vê-los às marradinhas e lambidinhas nas orelhas!
O novo hóspede teria os seus três anos, na altura. Ou seja, deve andar agora pelos nove.
O Nino é um senhor!! Um verdadeiro senhor e, como tal, sabe estar em qualquer lado. Isto é de tal maneira verdade que até participou numa peça de teatro da escola e tudo e o cachet dele foi pago em rissóis, croquetes e afins. Foi A estrela!
Gosto muito de estar com ele. As pessoas, ao verem-nos, chamam-nos “ A dama e o vagabundo” e acham imensa graça. Até se esquecem da nossa diferença, grande diferença de alturas. O que tenho de alta e esguia, tem o rapaz de baixinho e rechoncho, mas fazemos um belo par!!!
O Nino, nem poderia ser de outra forma, é louuuucooo por comida! Os pratos favoritos são todos, mas lombinhos de porco preto grelhados e castanhas assadas é um “must”. A maneira como ele engole semelhantes items, comove-nos… Também não perde uma congénere em cio, não perde não!!! É um Don Juan! E tem saída!
Os sítios favoritos para passear são os contentores de lixo, cafés, restaurantes, à falta de melhor, uma qualquer merceariazita de bairro… E Marvão, claro! Muito “bicho” (vacas, ovelhas, cabras, bicicletas em cima de automóveis, tudo o põe em brasa!), muita esquina, muito espaço… Poucas cadelas, mas não se pode ter tudo, não é?
Dá-se bem com todos, mas é muito temente à Misha! Porque será?
Olhando para o Nino, bem no fundo daqueles olhões meigos, passando a zona da gulodice e a das “meninas”, adivinho uma sabedoria milenar que não possuo, nem nunca possuirei, pois perdeu-se com tanto apuramento.
E bem, o sossego está instalado, finalmente, e já posso descansar. O Simão vomitou e foi um drama. Antes de o fazer, dá uns miados angustiantes, e a dona galopa: “Simão, a dona tá a ir!! A dona ajuda!!!” O que pensarão os vizinhos???
Não quero mesmo saber ou nunca mais saio à rua!


quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

O aniversário da Misha


A Misha celebrou em grande os anos dela!
O dia começou às 06.00 da manhã, chuvoso, com o despertador naquele histerismo matinal e a dona a pular da cama (sim, foi mesmo um PULO!) em direcção à Mishinha, que dormia tão sossegada na sua cestinha de dois andares, e largou a cantar irritante e desafinadamente aquela estúpida cantilena dos dias especiais: “Parabéns à Mishinha…”
Tenho de admitir que a Misha teve razão: qualquer um ficaria com a certeza que o mundo se estava a desintegrar. Um ingénuo teria a certeza que era o alvo de um desabamento monumental…
Começou a animação: antes do pequeno-almoço, tareão no Binx, que nem se encontrava no quarto e sim ao fundo do corredor à espera do momento da comidinha… A velocidade com que ela atravessou quarto e corredor deixou-nos estáticos e os gritos aflitivos do Binxas , horrorizados!
Reagimos todos ao mesmo tempo: eu, a dona e o Simão, com a Maria, o Nino e o Miro atrás, corremos para o local da agressão. Fiz um esforço, mas cheguei primeiro e fiz o que já não era necessário há muito: pus uma pata em cima daquele pequeno e terrível demónio. E acalmou! O Binx, pobrezinho, aproveitou para fugir, claro. E tive que descansar porque o meu coração está muito em baixo, pelo que deixei a justiça nas garras do Simas.
O Simão aproveitou ou não fosse inteligente: sentou-se à frente dela, olhando-a fixamente, só para a pôr em brasa. Ao lado dele, a Maria também fazia um ar ameaçador, quer dizer, tentava! O que interessa é que resulta sempre: a Misha rosna, bufa, rosna… Claro que a desmancha-prazeres acorreu logo: “Já chega! Meninos, a dona zanga!”
O Chaka e o Nhau-nhau? Muito receosos e cautelosos, espreitavam de cima da cama da dona, sem quererem aprofundar pormenores. Podia sobrar para eles, o que não é muito do seu agrado… Valentões!!
A manhã continuou neste ritmo, com a aniversariante completamente enlouquecida. Ninguém esteve a salvo, excepto eu, claro, e a dona ia tendo uma coisinha má, daquelas de “gatil” e “cuidados intensivos”. Vá lá, teve que ir trabalhar e as coisas acalmaram um pouco.
A nossa humana regressou ao fim da tarde e tudo recomeçou: pancadaria, gritos, “Vou pôr-te na arrecadação, Misha!”, e muita correria. A gata estava possuída no mínimo!!! Correu por cima dos móveis, saltou em cima do teclado do portátil, apagando montes de coisas (a dona aí ficou possessa!!), deu cambalhotas, desafiava a dona para correr atrás dela… enfim um disparate imenso! Os olhos, muito grandes, cor de ouro, brilhavam com malandrice. E tudo caía à sua passagem… E ainda falam do Binx!
Posso afirmar que a Misha perdeu toda a compostura que a caracteriza!!! E faz nove anos!! Terá bebido? Terá tomado os comprimidos para a idiopatia do lelito que anda feito tóxicodependente?? Ou seria da ventania? Só sei que não parecia ela, tão louca e feliz estava!!
E chegou a hora da rave: latinhas e presentes para todos! Hora feliz!!! Além das latinhas, eu, o Nino e o Miro tivemos direito a três escovas de dentes deliciosas. Que festa!!! Comi a minha e ainda roubei os outros! Olha, não andem sempre atrás da dona, feitos cães… Agora, estão danados comigo e sempre atrás da generala, a ver se ela tem pena… Eheheh…
Será que ELA hoje não se deita?? Estou à espera que me venha tapar e nunca mais se despacha!!

domingo, 25 de janeiro de 2009

Simão, o coraçãozinho de ouro!


Hoje aconteceu uma coisa espantosa!
Estávamos ainda na ronha com a dona, no quarto, e ouvimos grande confusão de miados e rosnadelas… Era a Misha a bater no Binx, só podia, pois é o exercício matinal que ela prefere (ou bater no Chaka!)… A dona ainda ameaçou: “Misha, queres que vá aí???” Não, não funcionou: o ruído continuou e a nossa mentora e guru preparou-se para se levantar quando a Misha entra toda entufada a correr e salta para a cómoda.
Estranho, muito estranho… Atrás, para nossa estupefacção!, vinha o Simão também com o pêlo em pé e em grande velocidade… Chegou à cómoda e empinou-se nas patas traseiras para bater na Misha!!! Cena inédita!
A nossa humana lá acalmou as coisas e foi cada um para o seu canto, mas o Simão não tirava os olhos da cesta onde aquele lindo e peludo mau demónio se recolheu. O rapaz deve ter-se cansado de ver os amigos martirizados e decidiu pôr a matriarca “mau feitio” na ordem…
Quem conhece o Simão fica espantado com este comportamento nada característico.
O nosso Simão chegou em Maio de 2001. Tinha nascido em casa dos “avós”, filho de uma gatinha semi-selvagem que frequentava o local. A dona encontrou-o fechado numa das casas de banho da casa dos “avós”, onde já devia estar há cerca de dois dias, sem comidinha e sem uma caminha quente. Tinha cerca de um mês.
A “avó” tem uma doença chamada Alzheimer e deve ter-se esquecido dele ali. Entretanto foi passar uns dias com outro filho e ele ali ficou… A mãe dele rondava a porta e a dona foi ver o que se passava.
Acabou por o trazer para cá com a intenção de lhe arranjar um bom dono. E arranjou, só que estava escrito que era connosco que ele ia ficar…
O Simão, um lindo tigrado laranja com olhos verde-água, era muito brincalhão e arranjou um grande companheiro, o Fausto, que lhe ensinou toda a sua colecção de disparates e uma mãe adoptiva, a Misha. Foram uns dias divertidos a vê-los nas suas aventuras!
Um dia o jovem adoeceu. Foi um mês horrível, com a dona a correr para a Faculdade de Medicina Veterinária, depois para casa, depois para a escola e a vir nos intervalos grandes para o medicar… Esteve a morrer e ninguém sabia o que era, mas safou-se, embora tivesse ficado coxo da sua patinha dianteira direita. Essa patinha dá-lhe muita graça e jeito para abrir portas e gavetas e, ainda, para castigar os outros…
O nome dele surgiu porque um dos amigos da dona, quando nos visitava, perguntava sempre pelo “sem mão”. De “sem mão” a Simão” não levou muito tempo.
A sua característica principal é ser muito humano. Estranho, não é?, classificar um gato como humano… Se calhar até é errado porque é muito altruísta, solidário e um amigo dedicado, qualidades que a Humanidade está a perder.
O nosso Simãozinho é um verdadeiro “coraçãozinho de ouro”: aceita todos quantos apareçam cá em casa, trata todos bem e, como diz a dona, acredita que todos os humanos são bons. É muito pacífico!!! Pelo menos, até hoje!!!
Agora que estou a ficar sem paciência e mais limitada fisicamente, o Simão está a lutar pela liderança e a Misha tem um sério adversário… oh, se tem!!!
Estaremos aqui para ver! Eheheh… Acho que tenho um belo sucessor…

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Está tudo na mesma...


Mais um tempinho que passou. Novidades? Nada fora do comum…
A Chefe tem andado distante, ainda mais despassarada que o habitual… Não faço ideia do que se passa…
Fez anos no outro fim de semana. Num sábado, mais precisamente. Bem, o que ela adora esta coisa de aniversários… Na véspera chegou a casa quase ao fim da tarde, como costume, passeou connosco e foi para a cozinha produzir furiosamente. Adoramos estes momentos de intimidade culinária! Cheirinhos bons! Saboroso prenúncio de lauto jantar! Huummm, parece que viria toda a gente no dia seguinte… Pela quantidade de comida que a via fazer e o esmero com que descascava, refogava e temperava, cheirava mesmo a festa!
Desta vez, a “intimidade” não foi grande. Escaldada com as aprendizagens de jantares anteriores, barricou-se na cozinha, deixando-nos a salivar do lado de fora!!! Os gemidos de dor não a demoveram: nem uma migalhinha nos pousou na língua…
Tinha chegado o resultado das análises do Miro e parece que tem os valores do fígado muito alterados. Eheheh, é um idiopático hepático… Só podia, com aquele ar…
Acho indecente que a dona não nos tenha deixado provar nada… Lá porque o Mirico não pode, os outros não deviam sofrer. Só me animava a esperança da vinda do “avô”… O único que nos compreende! Dá-nos sempre petisquinhos por baixo da mesa!! O “avõ” e não só: as sobrinhas também fazem tudo para nos agradar!!!
E chegou o dia. E chegou a hora… E chegou o “avô”!!! As primas também. E foi uma festa, mesmo: muito patê, muitos pedacinhos de queijinhos variados, … E a carne? Divina!!! O bacalhau não provámos, porque dava muito nas vistas, não é?, mas temos muita pena!
A certa altura, a dona passou-se: alguém se tinha chibado!! Quem, não sabemos, mas o resultado seria sempre o mesmo: DISCURSO! Falou, falou, falou, puxou as orelhas ao “avô”, veterinário de humanos reformado, … E as ameaças, claro! Não, nem canil, nem cuidados intensivos e sim falta de assistência em horas de crise e ameaça de futuros empregos para nós para pagar as contas da Clínica onde somos assistidos medicamente. Desde a crise convulsiva do Miro que anda mais comedida na previsão de castigos.
O Miro roeu a ficha do transformador do computador (O cabo de alimentação que roeu antes deu-lhe novas e “iluminadas” ideias!). Foi difícil e caro arranjar outro, mas ela só arregalou muiiiitooo os olhos, ficou verde amarelada e refilou, refilou, refilou mesmo horas mas entre dentes! O Miro destruiu mais uma bruxa, gentilmente “cedida” pelo Binxas, e a mesma coisa: olhos a saltarem das órbitas, aspecto azul esverdeado e refilanço entredental! A Maria caiu dentro da sobremesa por engano e nada! Nem um grito desafinado! Limitou-se a ir comprar mais ingredientes e recomeçar, novamente barricada.
Segunda-feira, o Miro foi à consulta, quer dizer, fazer uma ecografia abdominal e mais análises. Veio na mesma como foi: aos tombos. Agora com a medicação diária para a epilepsia (fenobarbital) ora adorna para bombordo, ora para estibordo, quando não é para a ré!!!
Terça-feira, eu não me sentia lá muito bem. Doía-me a barriga e tinha muitos gases. À noite, no último passeio, a dona ficou seriamente embaraçada, porque me “descuidei” no elevador e quando saímos, estavam uns senhores para subir ao quarto andar e… Bem devem ter ficado gaseados de certeza e a adornar para um lado qualquer. “Olha, Petra, achas bonito o que fizeste? Agora vão pensar que fui eu… Lindo, sim senhor! Cães mal educados! Feios! Bla, bla, bla, bla….”
Pior foi no dia seguinte! Tive o que chamam em linguagem vet um “episódio “ agudo gastroentestinal… Lindo! Penso que não preciso descrever o que se passou: “ Petrinha, nunca te arranjaria um emprego, a sério… Só fiquei preocupada. A Petra vai ficar boa, sim???”. Isto é antes do: “Eu sabia que o resultado ia ser este!! O teu “avô” não tem juízo nenhum… Nunca mais dou um jantar… É sempre este o triste final… E bla, bla, bla…”.
E o final é realmente o mesmo: Clínica Veterinária ou Hospital Veterinário ou Faculdade, dependendo da hora e da urgência! Muitas injecções e Probiótico depois, estou óptima! Cada vez mais velhota, chata e exigente, mas vou andando!!!
Está tudo calmo como gosto. A dona vê os novos episódios de “Mentes Criminosas”, o Chaka está encostadinho a ela e o Fausto, cheio de ciúmes, a escassos centímetros. Os outros, bem, desta vez estão todos encostadinhos uns aos outros e às pernas dela… É que está frio!!!
Por falar em frio, quando começam os concursos???

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

As "festas"!


O Natal foi como em todos os outros anos. Cheirinhos bons invadiram a casa… Ele era patês variados, ele era aquela maravilhosa carne assada, ele eram todos os saborosos acompanhamentos que a dona sabe fazer… Mas nada nos era destinado!!! Como costume, foi tudo para casa do “avô”, que, entretanto não foi para o canil, nem para os cuidados intensivos da Faculdade, e nós só pudemos provar uma ínfima parte de tanto petisco bom. Grande desilusão para todos, sobretudo para a Maria e o Binx que durante três noites e três dias fizeram longas e cansativas vigílias na cozinha…
Azar: o frigorífico é novo e esteve sempre sob vigilância apertada (e armadilhado!) e o caixote do lixo agora é de metal para impedir assaltos… Eheheheh… Só a dona consegue levantar aquela pesada tampa!!!
Não sei como é possível, mas mesmo com todos estes cuidados ainda vi a Maria a fugir pela casa com uma posta enooorrmmeee de bacalhau e a almiranta a correr atrás dela com ar ameaçador… O Binx, cheio de boas intenções, tentou interceptar a pequena delinquente mas a coisa ia acabando muito mal, como também é usual nestas alturas!
Árvore de Natal, nem pensar: a dona desistiu desde que os nossos “resíduos” sólidos passaram a ter cores lindíssimas, tipo verde ácido, rosa choque, vermelho brilhante… Enfeites natalícios, idem, para grande tristeza dela, que tem tanta coisa gira… Pena, acho que o Chaka, o Binx e o idiopático nunca viram o Natal como eu conheci!!
Já tarde, no dia 24, a dona regressou e distribuiu as nossas prendas: ratinhos e outros brinquedos para os felinos e artefactos “guinchantes” para nós: bolas, uma cenoura, um morango e mais um tomate com ar de louco!!! E… três daquelas deliciosas escovas de dentes!!!
Que alegria! O Miro passou-se e foi uma “guincharia” de loucos… Roubou-nos a nossa parte dos brinquedos e, ao mesmo tempo que apertava uma bola de rugby verde com os dentes, pisava a cenoura e o demoníaco tomate entre as patas…
Grande enxaqueca na manhã seguinte… Para todos, menos para o Mirinho que persistiu naquela escandalosa poluição sonora! Bela ideia, sim senhor, dar ao “lelito” idiopático armas deste tipo!!! Ainda duram… Penso que os nossos tímpanos rebentarão antes que ele dê cabo dos apitos, ou lá como aquilo se chama, daqueles objectos perniciosos!!!
Até ao fim de ano, tivemos que aturar aquela anormal ideia das limpezas! As nossas camas e cobertores foram lavadas no programa de “higienização”, os móveis todos tirados do lugar, os vidros das janelas desinfectados, … Se na Páscoa, ela diz que são as limpezas da Primavera, estas devem ser as do Inverno!! Nada pára no lugar, nem nós, que vamos sendo corridos de divisão em divisão, nesta casa apalhaçada de três assoalhadas… Um martírio, uma completa desorientação!
A confusão aumentou com a chegada de mais uma cadelita no dia 26, a Kika, porque a dona dela ia para fora até dia três… Será que a nossa ainda não percebeu que não dá??? Somos nove, NOVE… Não precisamos de mais companhia.
A Kika não parava: era tudo dela… Os nossos comedouros e bebedouros, a nossa comida, as nossas camas, o nosso sofá, a nossa cama da dona, os brinquedos guinchantes do Miro… Acho que o rapaz até deixou de ser hiperactivo durante a estadia dela! Que stress…
O mais estranho é que a rapariga metia-se com todos até com a Misha!! E a Misha… (suspense) … nunca lhe bateu!!! Ficámos siderados! Preferia bater nos outros todos, menos em mim, claro!, e perdoava àquela prevaricadora!
Passámos o fim de ano juntos. Os onze. A ver televisão e a ouvir os “guinchantes” … E depois o fogo de artifício e os tiros provenientes de um bairro social aqui perto… É por isso que a dona não gosta de nos deixar. Reagimos mesmo muito mal!
Primeiro dia do ano. Sentia-me mal. A dona bem dizia que eu estava a ficar gorda e que me ia pôr a dieta! Não consegui levantar-me, sempre engasgada, apesar do encorajamento de todos. E urinei-me deitada… E a dona ficou azul às riscas e … Hospital Veterinário… Diagnóstico: líquido nos pulmões! E foi o dia todo, com a dona desfeita e eu a querer ir ter com ela para a consolar.
Melhorei. Sinto-me mais leve e livre da dita dieta. Mas também estou mais exigente. Mesmo muito.
Sempre dormi tapadinha, mas agora exijo-o!! Se me destapo durante a noite, levanto-me e vou ter com a dona. Não acorda a bem, acorda a mal: dou-lhe patadas na cara até abrir os olhos e não a largo enquanto não me vem aconchegar!!! Várias vezes por noite, porque mereço.
Durante anos, fui mais nova que ela. Durante anos dei-lhe as minhas omoplatas para que chorasse acompanhada. Durante anos ouvi os seus desabafos sem me queixar ou virar-lhe as costas… Durante anos, que pareceram séculos, aturei as suas maluqueiras e era com cada uma… Agora, sou mais velha e sou eu que preciso de um ombro, de companhia e que me oiça!!! As minhas patas já pouco me obedecem e tenho dores, muitas dores e quero mimos, muitos mimos!
E ela dá, sem refilar…

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Hoje está mau!!!


Ausência grande…
Ando muito cansada. A idade já é muito e sucedem-se os achaques típicos…
Hoje, apanhámos todos um grande susto com o Miro. A dona veio a casa à hora de almoço. Também, é o único dia que tem, no horário, hora de almoço! Saiu connosco, comeu qualquer coisa e quando ia a sair para o trabalho ouviu um “booonncc”, vindo da sala. Voltou atrás, preparada para barafustar e deparou com o Mirico em convulsão, caído entre o sofá e a mesinha da confusão!
O jovem tinha caído, enquanto dormitava bem encostadinho a mim, com um ataque. Isto já tinha acontecido em Novembro, duas vezes no mesmo dia. Foi-lhe diagnosticado epilepsia. E idiopática!!! “Idio”, já todos tínhamos reparado que ele era, mas “pático” não estava no programa…
Desta vez, foi bem pior: a dona foi buscar o medicamento SOS (Stesolid 10mg rectal) e aplicou-lho. Nada! Durante perto de cinquenta minutos tivemos que assistir àquele horror: a dona sentada no chão, com ele ao colo, sempre a dizer “Calma! Calma!!” Fez vários telefonemas e a certa altura embrulhou-o num cobertor e bazou. Quando voltaram, o Miro já vinha pelo seu pé, mas muito estranho: cambaleava, olhava para nós de forma alucinada (mais do que normalmente!) e depois foi-se agarrar furiosamente a uma das suas bolas guinchantes que uma certa lunática se lembrou de lhe oferecer pelo Natal…
Eu acho que estiveram a beber, mas não tenho a certeza, pois ela parecia-me bem… O rapaz é que vinha todo desgraçadinho, nem os soluços o pouparam!!!
Tenho tanta coisa para contar do Natal e assim, mas o melhor mesmo é descansar. Amanhã, com mais tempo e outra disposição…
Ah, é verdade: o Binxas anda louco de amor pela Maria e tem-lhe feito enormes e ruidosas serenatas, noite e dia, com aquele seu novo miar estranho. Aquilo não é nada de geito: um misto de cana rachada com os usuais gritinhos que sempre, e só!, deu. Mas é uma paixão não correspondida. A única resposta que tem, além dos chinelos e peluches que a dona lhe atira para podermos dormir, é um bufar convicto e colérico da sua amada…