quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

As "festas"!


O Natal foi como em todos os outros anos. Cheirinhos bons invadiram a casa… Ele era patês variados, ele era aquela maravilhosa carne assada, ele eram todos os saborosos acompanhamentos que a dona sabe fazer… Mas nada nos era destinado!!! Como costume, foi tudo para casa do “avô”, que, entretanto não foi para o canil, nem para os cuidados intensivos da Faculdade, e nós só pudemos provar uma ínfima parte de tanto petisco bom. Grande desilusão para todos, sobretudo para a Maria e o Binx que durante três noites e três dias fizeram longas e cansativas vigílias na cozinha…
Azar: o frigorífico é novo e esteve sempre sob vigilância apertada (e armadilhado!) e o caixote do lixo agora é de metal para impedir assaltos… Eheheheh… Só a dona consegue levantar aquela pesada tampa!!!
Não sei como é possível, mas mesmo com todos estes cuidados ainda vi a Maria a fugir pela casa com uma posta enooorrmmeee de bacalhau e a almiranta a correr atrás dela com ar ameaçador… O Binx, cheio de boas intenções, tentou interceptar a pequena delinquente mas a coisa ia acabando muito mal, como também é usual nestas alturas!
Árvore de Natal, nem pensar: a dona desistiu desde que os nossos “resíduos” sólidos passaram a ter cores lindíssimas, tipo verde ácido, rosa choque, vermelho brilhante… Enfeites natalícios, idem, para grande tristeza dela, que tem tanta coisa gira… Pena, acho que o Chaka, o Binx e o idiopático nunca viram o Natal como eu conheci!!
Já tarde, no dia 24, a dona regressou e distribuiu as nossas prendas: ratinhos e outros brinquedos para os felinos e artefactos “guinchantes” para nós: bolas, uma cenoura, um morango e mais um tomate com ar de louco!!! E… três daquelas deliciosas escovas de dentes!!!
Que alegria! O Miro passou-se e foi uma “guincharia” de loucos… Roubou-nos a nossa parte dos brinquedos e, ao mesmo tempo que apertava uma bola de rugby verde com os dentes, pisava a cenoura e o demoníaco tomate entre as patas…
Grande enxaqueca na manhã seguinte… Para todos, menos para o Mirinho que persistiu naquela escandalosa poluição sonora! Bela ideia, sim senhor, dar ao “lelito” idiopático armas deste tipo!!! Ainda duram… Penso que os nossos tímpanos rebentarão antes que ele dê cabo dos apitos, ou lá como aquilo se chama, daqueles objectos perniciosos!!!
Até ao fim de ano, tivemos que aturar aquela anormal ideia das limpezas! As nossas camas e cobertores foram lavadas no programa de “higienização”, os móveis todos tirados do lugar, os vidros das janelas desinfectados, … Se na Páscoa, ela diz que são as limpezas da Primavera, estas devem ser as do Inverno!! Nada pára no lugar, nem nós, que vamos sendo corridos de divisão em divisão, nesta casa apalhaçada de três assoalhadas… Um martírio, uma completa desorientação!
A confusão aumentou com a chegada de mais uma cadelita no dia 26, a Kika, porque a dona dela ia para fora até dia três… Será que a nossa ainda não percebeu que não dá??? Somos nove, NOVE… Não precisamos de mais companhia.
A Kika não parava: era tudo dela… Os nossos comedouros e bebedouros, a nossa comida, as nossas camas, o nosso sofá, a nossa cama da dona, os brinquedos guinchantes do Miro… Acho que o rapaz até deixou de ser hiperactivo durante a estadia dela! Que stress…
O mais estranho é que a rapariga metia-se com todos até com a Misha!! E a Misha… (suspense) … nunca lhe bateu!!! Ficámos siderados! Preferia bater nos outros todos, menos em mim, claro!, e perdoava àquela prevaricadora!
Passámos o fim de ano juntos. Os onze. A ver televisão e a ouvir os “guinchantes” … E depois o fogo de artifício e os tiros provenientes de um bairro social aqui perto… É por isso que a dona não gosta de nos deixar. Reagimos mesmo muito mal!
Primeiro dia do ano. Sentia-me mal. A dona bem dizia que eu estava a ficar gorda e que me ia pôr a dieta! Não consegui levantar-me, sempre engasgada, apesar do encorajamento de todos. E urinei-me deitada… E a dona ficou azul às riscas e … Hospital Veterinário… Diagnóstico: líquido nos pulmões! E foi o dia todo, com a dona desfeita e eu a querer ir ter com ela para a consolar.
Melhorei. Sinto-me mais leve e livre da dita dieta. Mas também estou mais exigente. Mesmo muito.
Sempre dormi tapadinha, mas agora exijo-o!! Se me destapo durante a noite, levanto-me e vou ter com a dona. Não acorda a bem, acorda a mal: dou-lhe patadas na cara até abrir os olhos e não a largo enquanto não me vem aconchegar!!! Várias vezes por noite, porque mereço.
Durante anos, fui mais nova que ela. Durante anos dei-lhe as minhas omoplatas para que chorasse acompanhada. Durante anos ouvi os seus desabafos sem me queixar ou virar-lhe as costas… Durante anos, que pareceram séculos, aturei as suas maluqueiras e era com cada uma… Agora, sou mais velha e sou eu que preciso de um ombro, de companhia e que me oiça!!! As minhas patas já pouco me obedecem e tenho dores, muitas dores e quero mimos, muitos mimos!
E ela dá, sem refilar…

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