segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Binx, o demolidor!


Sim, é mau não ter ainda apresentado toda a família, isto à excepção dos juniores que ainda não mostraram as suas verdadeiras características. Estou mesmo muito velhota, é o que isto quer dizer…
O Binxas chegou com uma brava intempérie, no dia 30 de Setembro de 2007… O fim-de-semana ficou marcado por uma bela tromba de água que se abateu por todo o país. A coisa estava tão mal que o Nino e eu, para sairmos, tínhamos que ser, literalmente, empurrados para o elevador e, depois, para e pela porta do prédio, por uma humana enfurecida!!
Eram umas 10.00 da manhã e a chuva intensa não parava!! Ao passarmos por baixo de uma das árvores, existentes na praceta, ouvimos uns gritinhos… Olhámos para cima e deparámos com um felino preto, fininho, que nem miar sabia, apesar de parecer já adulto. Ainda hoje é assim: gritinhos, mais gritinhos, excepto se estiver a cortejar a Maria… Aí, é um pesadelo misto de gritinhos com uns sons estranhóides, que ainda não conseguimos entender!!
A dona suspirou: “Não olhem, meninos. Há-de ter dono, com certeza!!”
À tarde, o jovem continuava na mesma árvore, mas tinha subido alguns ramos, talvez a prevenir-se de uma eventual inundação… A dona voltou a olhar para o lado, mas custou-lhe…
Eram já 10.00 da noite quando voltámos a sair, ameaçados de morte, empurrados… e por aí fora. Enfim, o filme do costume...
O gato encontrava-se no mesmo local, mas cada vez mais alto… A chuva não abrandava nem por nada e ele só emitia gritinhos… A dona não aguentou: levou-nos para casa e foi buscar um escadote, resmungando entre dentes: “Só a mim, realmente… Só a mim!! Eles caem-me aos pés… Deve ser castigo!!”
A aventura, claro!, não terminou bem… Primeiro, o escadote era curto, pelo que a dona teve que trepar ao ramo mais baixo que, ainda assim, era bem alto. Segundo, a dona também não deve nada ao comprimento, mas lá se safou, nesta primeira fase… Terceiro, a escuridão era imensa e o sujeitinho muito preto…
Ao fim de uma “perseguição”, acesa e muito empenhada, pelos ramos molhados da árvore, lá o conseguiu apanhar e começar a trazer para baixo. Com tudo escorregadio, um gatarrão ao colo, a descer de uma árvore sem ver absolutamente coisa alguma, tenteando a ver se o escadote ainda lá estava, é mais que lógico que uma queda seria inevitável… E caabuuummm!, a dama aterrou cá em baixo, na relva enlameada, com um felino infeliz e ensopado nos braços e um pé torcido!! E muita sorte tiveram!!
O Binx é um lindo preto fininho, com um pêlo muito brilhante e pose muito aristocrática, muito, muito simpático!
Ficou no escritório da dona, nessa noite, e no dia seguinte foi ao vet. Segundo o parecer médico, tudo estava bem com ele, à excepção de uma otite bilateral provocada por ácaros. Dado o seu bom ar, pêlo brilhante, meiguice extrema e pouca idade (cerca de um ano), presumiu-se que estaria perdido…
Voltou de orelhinhas limpas e devidamente medicado e, imediatamente, a nossa almirante produziu uma série de cartazes para distribuir, à procura de uns donos que não deviam querer saber de nada... Como é óbvio, nunca apareceu ninguém…
O Binx ambientou-se lindamente. À parte os encontros imediatos com a Misha (e foram mesmo muitos!), foi muito bem aceite. Até achávamos graça àquele arzinho muito sorna… Só mesmo o “arzinho”…
Dedicou-se, logo desde o início, à remodelação do nosso domus… Ele atirava com tudo para chão, partia tudo, ia para sítios que não lembrava a nenhum de nós... Não dormia e não deixava dormir, sempre com invenções loucas! Aliás, era raro vê-lo sossegado ou a dormir!
Adorava, e adora!, molhar-se e sacudir-se em cima dos móveis, da cama da dona, dos papéis da dona...
Era uma alegria, de manhã até de madrugada: o ruído de objectos a caírem, um pouco por todos os sítios, os gritos da dona!, objectos a partirem-se, os gritos da dona!, água em todo o lado bem misturada com papéis importantes que, entretanto, juncavam o chão, os gritos da dona!, grandes cavalgadas pela casa, umas vezes à frente, outras atrás do Simão e da Maria... E a velocidade?? E os gritos da dona??? Até ficávamos zonzos…
Episódios daqueles de gatil/cuidados intensivos foram mais que muitos! Aliás, penso, um dia, se a vida assim o permitir, escrever uma monografia sobre o Binx e o Miro!! O nosso quotidiano nunca seria o mesmo sem ambos…
Ouso afirmar que este preto fininho é dos felinos mais felizes aqui em casa. Não mostra quaisquer sinais de stress… Aliás, ele resolve muito bem qualquer situação mais stressante com uma das suas ideias luminosas… Foi tirado da rua muito a tempo. Pelo bom feitio, pela meiguice e ingenuidade, quer-me parecer que tinha acabado de lá ir parar nesse fim-de-semana terrível, ou seja, não houve tempo para traumas, felizmente.
Em Marvão modificou-se um pouco, talvez por passar muito tempo no jardim. Anda mais calmo, mais sensato, mais adulto… As asneiradas têm sido em menor número, o que leva a dona a apalpá-lo, a ver se dói alguma coisa ou se tem febre, ao mesmo tempo que resmunga: “Não querem lá ver que resolveu adoecer?? Que vida!”
Engraçado: ela nunca mais se lembrou do AXN, mas nós não andamos a apalpá-la, nem a esborrachar-lhe o nariz, nem a pregar-lhe sustos de morte, a meio da noite, a ver se ainda respira ou o coração bate… Porque é que, sempre que decidimos curtir outra onda, temos que estar doentes??? Mania…
Agora, com a consciência mais tranquila em relação ao nosso irmão felino mais dengoso, já posso ir reservar o meu lugar no quentinho da cama da dona… Bem mereço, que a idade é muita e os ossos são mais sensíveis…

2 comentários:

CilaRodrigues disse...

Petrinha realmente agora mereces um descansosito depois de escreveres este resumo do teu mano Binx. É um gatito sortudo por vos ter encontrado e voc~es já não passam sem as "diabruras" dele :-)

Sara disse...

É bom conhecer melhor a história destes "meninos" lindos e comprovar, se é que alguma vez tivemos duvidas, no grande coração que a Fernanda tem :)Bjs