domingo, 22 de novembro de 2009

Chaka, o sofrido...


O frio instalou-se aqui nestas terras altas. Às cinco da tarde, já estamos todos em casa, pois mal desaparece o solinho, os graus Celsius vêm por aí abaixo… Todos?? Não, falta o nosso preto gordo, o Chakinha!
O Chaka decidiu “jantar” fora com uma certa frequência, o que, sobretudo desde o desaparecimento do Fausto, deixa a dona à beira de um belo de um ataque de nervos! E sai… E entra… E volta a sair de lanterna em riste… E entra de lanterna caída… E chama… E ameaça… Enfim, um show completo! Até que Sua Excelência chega… Nada apressado… Tudo numa muito boa! A almirante ainda abre a boca, para lhe dizer das boas, só que o espertalhão olha-a com aqueles enormes olhos amarelos sempre tocados pela ansiedade e ela acaba por recuar e pronto!
O “rapaz” chegou em Agosto de 2006. A Maria tinha desaparecido em pleno primeiro cio e a nossa matriarca ia deixando comidinha na porta do jardim, a ver se a convencia a voltar. A comida desaparecia e a Maria não aparecia!! Tanta choradeira que aturei… E deixou de comer… Pensou mesmo dormir no jardim, à espera… Ela, coitada!, não é muito normal, não!! E quando descobriu que a ração era consumida por um gato preto e não pela “menina”??? Beeeemmm…
E a Maria voltou ao fim de três dias… E o gato preto continuava a rondar a porta, esquelético, com barriga demasiado volumosa, quase sem pêlo. Metia dó, até porque estava coberto de crostas e a pelagem, rala e cheia de falhas, era mais cinzenta que preta.
O Chaka revelou-se muito inteligente. Inicialmente comia do pratinho deixado na porta do jardim, mas depressa se aventurou dentro de casa e começou a comer dos nossos, na cozinha. E inspeccionou, muito a medo, a casa toda… Deve ter-lhe agradado, pois aventurou-se ainda mais: passava as tardes deitado num dos cadeirões de vime, no hall do andar de cima, aquele que ocupamos.
A nossa dona, no Verão, costuma fechar a porta do jardim pelas 09.30/10.00 da noite e começa a tourada das entradas… Chama, vai buscar um a um, escapam-se outros, ameaças, pedidos comoventes para que entremos, subornos, enfim, um filme digno dos irmãos Marx! O Chaka apercebeu-se disso, pelo que a essa hora lá estava ele no cadeirão, mas de cabeça bem enterrada no almofadão tipo “Se ela não me vir, pode ser que me deixe dormir em casa!” E quem tinha coragem de o pôr na rua??
Foi ficando até que se aproximou o fim das férias. Ninguém o queria. Todos quantos foram contactados pela dona, responderam que não ficavam com um gato tão feio e doente, o que fez com que ela decidisse levá-lo ao vet e depois adoptá-lo.
Surpresa desagradável: as crostas eram queimaduras que lhe tinham infligido, brasas ou cigarros, origem impossível de determinar tal era a infecção de algumas… Os dentes do lado esquerdo de ambos os maxilares estavam partidos, possivelmente a pontapé, e havia outra infecção na boca… Os restantes dentes encontravam-se super gastos e presumiu-se que até pedras e paus terá roído para sobreviver… E ainda tinha uma grave infecção abdominal devido a parasitas…
Foram dias terríveis, com a generala revoltadíssima com os seus congéneres! Muitos impropérios ouvimos!
O tratamento durou meses, até praticamente ao Natal, e ele aguentou tudo! Tudo?? Não!! A Misha aterrorizava-o de tal forma que o Chaka, mal a via, gritava de horror! Preferia dormir comigo e com o Nino… Os outros intimidavam-no muito.
Agora, tudo está bem diferente. Os olhos, embora ansiosos, já não têm aquele pânico permanente. E já levanta a patinha para chegar nos outros… Sim, tem muitos problemas de saúde, pois a vida não o poupou, mas penso que, embora ainda se sinta receoso quanto ao futuro, está muito feliz! E tornou-se um belo felino! A cor é definitivamente preta, finalmente, e o manto tornou-se espesso e macio… Come que eu sei lá!! E tem uma particularidade: é o único gato que nunca sai para a rua sem tomar o pequeno-almoço!! Assim como assim, se a dona resolver deixá-lo, pensa ele, deixa-o de barriga cheia!!
E agora são horas de aquecer o meu lugar na caminha da dona!!!

4 comentários:

Lilá(s) disse...

Que maravilha! de volta ao diário! esta familia é um espetáculo...portem-se bem, ou melhor mal para termos muitos destes belos contos.
Bjs

CilaRodrigues disse...

Chakinha também gostei de te ver aqui no diário da Petra ... foste um gatinho infeliz e muito maltratado mas agora finalmente tens uma bos familia ... uma familia linda que te adora mais a "generala" que anda sempre procupada contigo

Pimas disse...

Belíssima história! O Chaka teve a felicidade de se cruzar com essa maravilhosa familia!

Sara disse...

Que delicia ler este teu diário.

O Chakinha já sofreu muito mas penso que agora é feliz. Também, com essa familia linda era impossivel ser de outra forma. Bjs