quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

O aniversário da Misha


A Misha celebrou em grande os anos dela!
O dia começou às 06.00 da manhã, chuvoso, com o despertador naquele histerismo matinal e a dona a pular da cama (sim, foi mesmo um PULO!) em direcção à Mishinha, que dormia tão sossegada na sua cestinha de dois andares, e largou a cantar irritante e desafinadamente aquela estúpida cantilena dos dias especiais: “Parabéns à Mishinha…”
Tenho de admitir que a Misha teve razão: qualquer um ficaria com a certeza que o mundo se estava a desintegrar. Um ingénuo teria a certeza que era o alvo de um desabamento monumental…
Começou a animação: antes do pequeno-almoço, tareão no Binx, que nem se encontrava no quarto e sim ao fundo do corredor à espera do momento da comidinha… A velocidade com que ela atravessou quarto e corredor deixou-nos estáticos e os gritos aflitivos do Binxas , horrorizados!
Reagimos todos ao mesmo tempo: eu, a dona e o Simão, com a Maria, o Nino e o Miro atrás, corremos para o local da agressão. Fiz um esforço, mas cheguei primeiro e fiz o que já não era necessário há muito: pus uma pata em cima daquele pequeno e terrível demónio. E acalmou! O Binx, pobrezinho, aproveitou para fugir, claro. E tive que descansar porque o meu coração está muito em baixo, pelo que deixei a justiça nas garras do Simas.
O Simão aproveitou ou não fosse inteligente: sentou-se à frente dela, olhando-a fixamente, só para a pôr em brasa. Ao lado dele, a Maria também fazia um ar ameaçador, quer dizer, tentava! O que interessa é que resulta sempre: a Misha rosna, bufa, rosna… Claro que a desmancha-prazeres acorreu logo: “Já chega! Meninos, a dona zanga!”
O Chaka e o Nhau-nhau? Muito receosos e cautelosos, espreitavam de cima da cama da dona, sem quererem aprofundar pormenores. Podia sobrar para eles, o que não é muito do seu agrado… Valentões!!
A manhã continuou neste ritmo, com a aniversariante completamente enlouquecida. Ninguém esteve a salvo, excepto eu, claro, e a dona ia tendo uma coisinha má, daquelas de “gatil” e “cuidados intensivos”. Vá lá, teve que ir trabalhar e as coisas acalmaram um pouco.
A nossa humana regressou ao fim da tarde e tudo recomeçou: pancadaria, gritos, “Vou pôr-te na arrecadação, Misha!”, e muita correria. A gata estava possuída no mínimo!!! Correu por cima dos móveis, saltou em cima do teclado do portátil, apagando montes de coisas (a dona aí ficou possessa!!), deu cambalhotas, desafiava a dona para correr atrás dela… enfim um disparate imenso! Os olhos, muito grandes, cor de ouro, brilhavam com malandrice. E tudo caía à sua passagem… E ainda falam do Binx!
Posso afirmar que a Misha perdeu toda a compostura que a caracteriza!!! E faz nove anos!! Terá bebido? Terá tomado os comprimidos para a idiopatia do lelito que anda feito tóxicodependente?? Ou seria da ventania? Só sei que não parecia ela, tão louca e feliz estava!!
E chegou a hora da rave: latinhas e presentes para todos! Hora feliz!!! Além das latinhas, eu, o Nino e o Miro tivemos direito a três escovas de dentes deliciosas. Que festa!!! Comi a minha e ainda roubei os outros! Olha, não andem sempre atrás da dona, feitos cães… Agora, estão danados comigo e sempre atrás da generala, a ver se ela tem pena… Eheheh…
Será que ELA hoje não se deita?? Estou à espera que me venha tapar e nunca mais se despacha!!

domingo, 25 de janeiro de 2009

Simão, o coraçãozinho de ouro!


Hoje aconteceu uma coisa espantosa!
Estávamos ainda na ronha com a dona, no quarto, e ouvimos grande confusão de miados e rosnadelas… Era a Misha a bater no Binx, só podia, pois é o exercício matinal que ela prefere (ou bater no Chaka!)… A dona ainda ameaçou: “Misha, queres que vá aí???” Não, não funcionou: o ruído continuou e a nossa mentora e guru preparou-se para se levantar quando a Misha entra toda entufada a correr e salta para a cómoda.
Estranho, muito estranho… Atrás, para nossa estupefacção!, vinha o Simão também com o pêlo em pé e em grande velocidade… Chegou à cómoda e empinou-se nas patas traseiras para bater na Misha!!! Cena inédita!
A nossa humana lá acalmou as coisas e foi cada um para o seu canto, mas o Simão não tirava os olhos da cesta onde aquele lindo e peludo mau demónio se recolheu. O rapaz deve ter-se cansado de ver os amigos martirizados e decidiu pôr a matriarca “mau feitio” na ordem…
Quem conhece o Simão fica espantado com este comportamento nada característico.
O nosso Simão chegou em Maio de 2001. Tinha nascido em casa dos “avós”, filho de uma gatinha semi-selvagem que frequentava o local. A dona encontrou-o fechado numa das casas de banho da casa dos “avós”, onde já devia estar há cerca de dois dias, sem comidinha e sem uma caminha quente. Tinha cerca de um mês.
A “avó” tem uma doença chamada Alzheimer e deve ter-se esquecido dele ali. Entretanto foi passar uns dias com outro filho e ele ali ficou… A mãe dele rondava a porta e a dona foi ver o que se passava.
Acabou por o trazer para cá com a intenção de lhe arranjar um bom dono. E arranjou, só que estava escrito que era connosco que ele ia ficar…
O Simão, um lindo tigrado laranja com olhos verde-água, era muito brincalhão e arranjou um grande companheiro, o Fausto, que lhe ensinou toda a sua colecção de disparates e uma mãe adoptiva, a Misha. Foram uns dias divertidos a vê-los nas suas aventuras!
Um dia o jovem adoeceu. Foi um mês horrível, com a dona a correr para a Faculdade de Medicina Veterinária, depois para casa, depois para a escola e a vir nos intervalos grandes para o medicar… Esteve a morrer e ninguém sabia o que era, mas safou-se, embora tivesse ficado coxo da sua patinha dianteira direita. Essa patinha dá-lhe muita graça e jeito para abrir portas e gavetas e, ainda, para castigar os outros…
O nome dele surgiu porque um dos amigos da dona, quando nos visitava, perguntava sempre pelo “sem mão”. De “sem mão” a Simão” não levou muito tempo.
A sua característica principal é ser muito humano. Estranho, não é?, classificar um gato como humano… Se calhar até é errado porque é muito altruísta, solidário e um amigo dedicado, qualidades que a Humanidade está a perder.
O nosso Simãozinho é um verdadeiro “coraçãozinho de ouro”: aceita todos quantos apareçam cá em casa, trata todos bem e, como diz a dona, acredita que todos os humanos são bons. É muito pacífico!!! Pelo menos, até hoje!!!
Agora que estou a ficar sem paciência e mais limitada fisicamente, o Simão está a lutar pela liderança e a Misha tem um sério adversário… oh, se tem!!!
Estaremos aqui para ver! Eheheh… Acho que tenho um belo sucessor…

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Está tudo na mesma...


Mais um tempinho que passou. Novidades? Nada fora do comum…
A Chefe tem andado distante, ainda mais despassarada que o habitual… Não faço ideia do que se passa…
Fez anos no outro fim de semana. Num sábado, mais precisamente. Bem, o que ela adora esta coisa de aniversários… Na véspera chegou a casa quase ao fim da tarde, como costume, passeou connosco e foi para a cozinha produzir furiosamente. Adoramos estes momentos de intimidade culinária! Cheirinhos bons! Saboroso prenúncio de lauto jantar! Huummm, parece que viria toda a gente no dia seguinte… Pela quantidade de comida que a via fazer e o esmero com que descascava, refogava e temperava, cheirava mesmo a festa!
Desta vez, a “intimidade” não foi grande. Escaldada com as aprendizagens de jantares anteriores, barricou-se na cozinha, deixando-nos a salivar do lado de fora!!! Os gemidos de dor não a demoveram: nem uma migalhinha nos pousou na língua…
Tinha chegado o resultado das análises do Miro e parece que tem os valores do fígado muito alterados. Eheheh, é um idiopático hepático… Só podia, com aquele ar…
Acho indecente que a dona não nos tenha deixado provar nada… Lá porque o Mirico não pode, os outros não deviam sofrer. Só me animava a esperança da vinda do “avô”… O único que nos compreende! Dá-nos sempre petisquinhos por baixo da mesa!! O “avõ” e não só: as sobrinhas também fazem tudo para nos agradar!!!
E chegou o dia. E chegou a hora… E chegou o “avô”!!! As primas também. E foi uma festa, mesmo: muito patê, muitos pedacinhos de queijinhos variados, … E a carne? Divina!!! O bacalhau não provámos, porque dava muito nas vistas, não é?, mas temos muita pena!
A certa altura, a dona passou-se: alguém se tinha chibado!! Quem, não sabemos, mas o resultado seria sempre o mesmo: DISCURSO! Falou, falou, falou, puxou as orelhas ao “avô”, veterinário de humanos reformado, … E as ameaças, claro! Não, nem canil, nem cuidados intensivos e sim falta de assistência em horas de crise e ameaça de futuros empregos para nós para pagar as contas da Clínica onde somos assistidos medicamente. Desde a crise convulsiva do Miro que anda mais comedida na previsão de castigos.
O Miro roeu a ficha do transformador do computador (O cabo de alimentação que roeu antes deu-lhe novas e “iluminadas” ideias!). Foi difícil e caro arranjar outro, mas ela só arregalou muiiiitooo os olhos, ficou verde amarelada e refilou, refilou, refilou mesmo horas mas entre dentes! O Miro destruiu mais uma bruxa, gentilmente “cedida” pelo Binxas, e a mesma coisa: olhos a saltarem das órbitas, aspecto azul esverdeado e refilanço entredental! A Maria caiu dentro da sobremesa por engano e nada! Nem um grito desafinado! Limitou-se a ir comprar mais ingredientes e recomeçar, novamente barricada.
Segunda-feira, o Miro foi à consulta, quer dizer, fazer uma ecografia abdominal e mais análises. Veio na mesma como foi: aos tombos. Agora com a medicação diária para a epilepsia (fenobarbital) ora adorna para bombordo, ora para estibordo, quando não é para a ré!!!
Terça-feira, eu não me sentia lá muito bem. Doía-me a barriga e tinha muitos gases. À noite, no último passeio, a dona ficou seriamente embaraçada, porque me “descuidei” no elevador e quando saímos, estavam uns senhores para subir ao quarto andar e… Bem devem ter ficado gaseados de certeza e a adornar para um lado qualquer. “Olha, Petra, achas bonito o que fizeste? Agora vão pensar que fui eu… Lindo, sim senhor! Cães mal educados! Feios! Bla, bla, bla, bla….”
Pior foi no dia seguinte! Tive o que chamam em linguagem vet um “episódio “ agudo gastroentestinal… Lindo! Penso que não preciso descrever o que se passou: “ Petrinha, nunca te arranjaria um emprego, a sério… Só fiquei preocupada. A Petra vai ficar boa, sim???”. Isto é antes do: “Eu sabia que o resultado ia ser este!! O teu “avô” não tem juízo nenhum… Nunca mais dou um jantar… É sempre este o triste final… E bla, bla, bla…”.
E o final é realmente o mesmo: Clínica Veterinária ou Hospital Veterinário ou Faculdade, dependendo da hora e da urgência! Muitas injecções e Probiótico depois, estou óptima! Cada vez mais velhota, chata e exigente, mas vou andando!!!
Está tudo calmo como gosto. A dona vê os novos episódios de “Mentes Criminosas”, o Chaka está encostadinho a ela e o Fausto, cheio de ciúmes, a escassos centímetros. Os outros, bem, desta vez estão todos encostadinhos uns aos outros e às pernas dela… É que está frio!!!
Por falar em frio, quando começam os concursos???

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

As "festas"!


O Natal foi como em todos os outros anos. Cheirinhos bons invadiram a casa… Ele era patês variados, ele era aquela maravilhosa carne assada, ele eram todos os saborosos acompanhamentos que a dona sabe fazer… Mas nada nos era destinado!!! Como costume, foi tudo para casa do “avô”, que, entretanto não foi para o canil, nem para os cuidados intensivos da Faculdade, e nós só pudemos provar uma ínfima parte de tanto petisco bom. Grande desilusão para todos, sobretudo para a Maria e o Binx que durante três noites e três dias fizeram longas e cansativas vigílias na cozinha…
Azar: o frigorífico é novo e esteve sempre sob vigilância apertada (e armadilhado!) e o caixote do lixo agora é de metal para impedir assaltos… Eheheheh… Só a dona consegue levantar aquela pesada tampa!!!
Não sei como é possível, mas mesmo com todos estes cuidados ainda vi a Maria a fugir pela casa com uma posta enooorrmmeee de bacalhau e a almiranta a correr atrás dela com ar ameaçador… O Binx, cheio de boas intenções, tentou interceptar a pequena delinquente mas a coisa ia acabando muito mal, como também é usual nestas alturas!
Árvore de Natal, nem pensar: a dona desistiu desde que os nossos “resíduos” sólidos passaram a ter cores lindíssimas, tipo verde ácido, rosa choque, vermelho brilhante… Enfeites natalícios, idem, para grande tristeza dela, que tem tanta coisa gira… Pena, acho que o Chaka, o Binx e o idiopático nunca viram o Natal como eu conheci!!
Já tarde, no dia 24, a dona regressou e distribuiu as nossas prendas: ratinhos e outros brinquedos para os felinos e artefactos “guinchantes” para nós: bolas, uma cenoura, um morango e mais um tomate com ar de louco!!! E… três daquelas deliciosas escovas de dentes!!!
Que alegria! O Miro passou-se e foi uma “guincharia” de loucos… Roubou-nos a nossa parte dos brinquedos e, ao mesmo tempo que apertava uma bola de rugby verde com os dentes, pisava a cenoura e o demoníaco tomate entre as patas…
Grande enxaqueca na manhã seguinte… Para todos, menos para o Mirinho que persistiu naquela escandalosa poluição sonora! Bela ideia, sim senhor, dar ao “lelito” idiopático armas deste tipo!!! Ainda duram… Penso que os nossos tímpanos rebentarão antes que ele dê cabo dos apitos, ou lá como aquilo se chama, daqueles objectos perniciosos!!!
Até ao fim de ano, tivemos que aturar aquela anormal ideia das limpezas! As nossas camas e cobertores foram lavadas no programa de “higienização”, os móveis todos tirados do lugar, os vidros das janelas desinfectados, … Se na Páscoa, ela diz que são as limpezas da Primavera, estas devem ser as do Inverno!! Nada pára no lugar, nem nós, que vamos sendo corridos de divisão em divisão, nesta casa apalhaçada de três assoalhadas… Um martírio, uma completa desorientação!
A confusão aumentou com a chegada de mais uma cadelita no dia 26, a Kika, porque a dona dela ia para fora até dia três… Será que a nossa ainda não percebeu que não dá??? Somos nove, NOVE… Não precisamos de mais companhia.
A Kika não parava: era tudo dela… Os nossos comedouros e bebedouros, a nossa comida, as nossas camas, o nosso sofá, a nossa cama da dona, os brinquedos guinchantes do Miro… Acho que o rapaz até deixou de ser hiperactivo durante a estadia dela! Que stress…
O mais estranho é que a rapariga metia-se com todos até com a Misha!! E a Misha… (suspense) … nunca lhe bateu!!! Ficámos siderados! Preferia bater nos outros todos, menos em mim, claro!, e perdoava àquela prevaricadora!
Passámos o fim de ano juntos. Os onze. A ver televisão e a ouvir os “guinchantes” … E depois o fogo de artifício e os tiros provenientes de um bairro social aqui perto… É por isso que a dona não gosta de nos deixar. Reagimos mesmo muito mal!
Primeiro dia do ano. Sentia-me mal. A dona bem dizia que eu estava a ficar gorda e que me ia pôr a dieta! Não consegui levantar-me, sempre engasgada, apesar do encorajamento de todos. E urinei-me deitada… E a dona ficou azul às riscas e … Hospital Veterinário… Diagnóstico: líquido nos pulmões! E foi o dia todo, com a dona desfeita e eu a querer ir ter com ela para a consolar.
Melhorei. Sinto-me mais leve e livre da dita dieta. Mas também estou mais exigente. Mesmo muito.
Sempre dormi tapadinha, mas agora exijo-o!! Se me destapo durante a noite, levanto-me e vou ter com a dona. Não acorda a bem, acorda a mal: dou-lhe patadas na cara até abrir os olhos e não a largo enquanto não me vem aconchegar!!! Várias vezes por noite, porque mereço.
Durante anos, fui mais nova que ela. Durante anos dei-lhe as minhas omoplatas para que chorasse acompanhada. Durante anos ouvi os seus desabafos sem me queixar ou virar-lhe as costas… Durante anos, que pareceram séculos, aturei as suas maluqueiras e era com cada uma… Agora, sou mais velha e sou eu que preciso de um ombro, de companhia e que me oiça!!! As minhas patas já pouco me obedecem e tenho dores, muitas dores e quero mimos, muitos mimos!
E ela dá, sem refilar…

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Hoje está mau!!!


Ausência grande…
Ando muito cansada. A idade já é muito e sucedem-se os achaques típicos…
Hoje, apanhámos todos um grande susto com o Miro. A dona veio a casa à hora de almoço. Também, é o único dia que tem, no horário, hora de almoço! Saiu connosco, comeu qualquer coisa e quando ia a sair para o trabalho ouviu um “booonncc”, vindo da sala. Voltou atrás, preparada para barafustar e deparou com o Mirico em convulsão, caído entre o sofá e a mesinha da confusão!
O jovem tinha caído, enquanto dormitava bem encostadinho a mim, com um ataque. Isto já tinha acontecido em Novembro, duas vezes no mesmo dia. Foi-lhe diagnosticado epilepsia. E idiopática!!! “Idio”, já todos tínhamos reparado que ele era, mas “pático” não estava no programa…
Desta vez, foi bem pior: a dona foi buscar o medicamento SOS (Stesolid 10mg rectal) e aplicou-lho. Nada! Durante perto de cinquenta minutos tivemos que assistir àquele horror: a dona sentada no chão, com ele ao colo, sempre a dizer “Calma! Calma!!” Fez vários telefonemas e a certa altura embrulhou-o num cobertor e bazou. Quando voltaram, o Miro já vinha pelo seu pé, mas muito estranho: cambaleava, olhava para nós de forma alucinada (mais do que normalmente!) e depois foi-se agarrar furiosamente a uma das suas bolas guinchantes que uma certa lunática se lembrou de lhe oferecer pelo Natal…
Eu acho que estiveram a beber, mas não tenho a certeza, pois ela parecia-me bem… O rapaz é que vinha todo desgraçadinho, nem os soluços o pouparam!!!
Tenho tanta coisa para contar do Natal e assim, mas o melhor mesmo é descansar. Amanhã, com mais tempo e outra disposição…
Ah, é verdade: o Binxas anda louco de amor pela Maria e tem-lhe feito enormes e ruidosas serenatas, noite e dia, com aquele seu novo miar estranho. Aquilo não é nada de geito: um misto de cana rachada com os usuais gritinhos que sempre, e só!, deu. Mas é uma paixão não correspondida. A única resposta que tem, além dos chinelos e peluches que a dona lhe atira para podermos dormir, é um bufar convicto e colérico da sua amada…