quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Os meus 13 anos...


Sim, bem sei que há muito que não “transpiro” novidades, mas a nossa vida continua um pouco louca… Aliás, acho que é o normal!!
O Simão acabou por ter alta do vet mas, no mesmo dia, entrou a Maria. Diagnóstico: nefrite, mais uma vez… Coitada, ainda lá passou uns cinco dias, para estabilizar. No dia em que a deixaram voltar para casa, o Simão foi novamente internado, desta vez com uma gastrite crónica… Esta gastrite crónica fazia elevar, e muito, os valores de ureia, pelo que a situação esteve tremida. Mas melhorou, felizmente.
Chegou o Verão e foi a vez do Binx… Focinho e pescoço em sangue, parecia um zombie… O problema de “ácaros” com que vinha, desde que foi “adoptado”, piorou imenso aqui, com este clima… Passou a ser um tipo de uma sarna, com um nome todo estranho…Todas as semanas, durante mês e meio, ia à clínica fazer o tratamento, coitado. E melhorou, sim, até à semana passada… Agora, coitado, como recidivou, todas as semanas lá vai ser injectado, desinfectado, …
Agosto trouxe mais uma surpresa: a Zamba, uma jovem de cerca de 8 kilos, pêlo cerdoso e kilómetros de traumas… Enfim…
E como os azares nos perseguem constantemente, a Maria, neste momento, está novamente internada… Desde domingo de manhã… Novamente insuficiência renal… A patroa anda que ninguém a atura!! Realmente, está a ser muito duro e difícil!!
Adiante:
Fiz 13 anos, no dia 5 deste mês. Dia muito celebrado, com honras de Estado e tudo, pois é o meu dia, claro!!
Acordei muito feliz, nem sabia bem porquê. A dona, aos berros e sempre cacofónica, cantava “Parabéns à Petrinha… Parabéns à Petrinha…” Também não deve saber mais nada, já que repete e repete o mesmo, milhares de vezes, dando cabo dos meus já muito gastos tímpanos.
“Huuuummmm, “parabéns” é bom… Huuuummm, cheira-me a mega passeio com petisco!!”, pensei.
E rejuvenesci: ladrei, corri feita tonta, pulei, rosnei de caminho à Ammaia, até que fomos “albardados”. Esta palavra é nova, claro, e quer dizer que me puseram a coleira, “vestiram” os outros e as muitas trelas saíram do seu poiso habitual.
Esquecendo as minhas artroses, insuficiência cardíaca e a cegueira quase total que me atormenta e deprime, colei-me à “chefinha” que já estava prontíssima de mochila às costas, tudo indicando um pic-nic, e seguimos para o velho “Golf” estacionado no terreiro. E começa a confusão da entrada, a do costume…
O Miro é sempre o primeiro. Atrás dele, a Zamba (a podengosa nova!)… Segue-se o “iceberg”, toneladas dele, cego de alegria, pisando tudo e todos… Sim, refiro-me à Ammaia!! O Nino, coitado, para não sofrer mais dor que a do reumatismo que o invade, lá sai de debaixo do carro, onde se esconde, e foge logo para a “chapeleira”.
Eu? Eu lá ando pelo terreiro, a cheiricar, visitando os contentores de lixo a descobrir novidades e faço o meu número da surdez selectiva… Até soar aquela voz cavernosa: “Petra, eu vou aí!” Bem, nem paro até à porta do veículo que alguém mantém aberta.
Bolas, até tenho muita razão em demorar a entrar: é que não tenho lugar!! Sim, adoro andar de carro, estendida, ou mesmo sentada, no banco de trás, mas desde que surgiu o bisonte branco que fico entalada contra a porta, com os meus velhos ossinhos todinhos esfrangalhados com aquele peso desmedido… É uma tortura, mesmo!! E ninguém se impõe, não é? Rosno e dou latidos ameaçadores, mas nada: a montanha branca não se move nem um milímetro!
O motor do carro começa a trabalhar… O Nininho começa, igualmente, a aclarar a voz com um “Grrrrr…” fraco e baixo… A marcha-atrás é iniciada…. O “Grrrrr…” intensifica-se... E lá vamos, finalmente, em direcção ao arco da saída. O Nino continua as suas vocalizações, alternando os “Grrrrr…” com pequenos “ladrares” seguidos de espirros explosivos de intenso prazer… Para cima de todos… Salpicando-nos… Ensopando-nos… Não há paciência, mesmo!!
Entramos na estrada e uma violenta dor de cabeça torna o meu dia de aniversário muito sombrio… É que os exercícios vocais do meu velho companheiro sobem de tom, até à primeira curva, junto à GNR. A partir daí, passam a um ladrar furioso, intenso e incessante!!
“Há `bicho´!”, é o que o rapaz quer dizer. Muito, muito bicho, dada tanta fúria!!
E continuamos em direcção à barragem, sempre em grande confusão e alarido, ensurdecidos e, sobretudo, cuspidos pelo chatinho do Nininho, cada vez mais entusiasmado pelos inúmeros odores que lhe entopem as narinas… E, algumas vezes, pela visão deliciosa de um belo rebanho, ou manada, para que considere que o dia não foi uma perda de tempo!
Ó barragem linda! Barragem boooaaa!! Muita pedra… Muita água… O melhor presente de anos que me podem dar!!
E foi um óptimo dia, à parte as escapadelas das meninas Zamba e Ammaia, que depois de muita discussão e disputa por uma pinha (com tantas que existem), decidem correr atrás do seu querido líder espiritual, o Mirinho! E à parte as cenas em que a dona ameaça que, se não lhe obedecermos, se vai embora, abandonando-nos à nossa sorte, sem comida, mas com muita água… Já ninguém liga, é evidente!!
Mergulhei, draguei o fundo da barragem, com toda a alma, retirando pedrinha a pedrinha, durante um bom bocado e só saí porque a generala implicou que eu já estava com os lábios azuis de tanto tempo dentro de água… É sempre a mesma!! Desmancha-prazeres!!!
O petisco, desta vez, foi apenas um arroz de frango, dadas as condições de saúde do Simas e da Maria. Sabe sempre bem, desde que saia do ritual da ração, não é? E lá se passou mais um aniversário…
Será que ainda terei outro???