sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Vamos lá entender estes humanos...


O Carnaval veio, o Carnaval foi… É uma interrupção muito curta, quando há tanto para viver e fazer, ao ar livre… Nas imensidões…
Fomos a Marvão no sábado. A viagem até que não correu mal, embora o Chakinha sofra sempre um pouco e nos ponha a sofrer com ele. O mau feitio também veio, para não andar a bater nos outros durante a nossa ausência.
Os planos eram visitar “quintinhas” e regressar na segunda de manhã. Porque a casa dos “avós” está um horror com as obras, porque há muito trabalho à espera, porque…
Que interessa? Estava em Marvão!!! Onde melhor se pode estar? Andamos sempre na rua ou no jardim e não entre quatro paredes, a morrer de tédio.
Domingo de manhã, saímos para ir ao café e depois foi uma loucura: muita casa em franca decadência, muito terreno sem qualquer atractivo… Até que chegámos àquela!!! Muito espaço, muita pedra, muito sol… E quando descobri a ribeira??? Os meus olhos humedeceram-se e a pedra linda caiu da minha boca. O meu coração parou em êxtase, a minha respiração desacelerou, um calor húmido invadiu-me… Tanta água, tanta pedrinha no fundo…

Quedei-me, estática, pedra tristemente esquecida entre as minhas patas, babando-me de felicidade!
ELA estragou tudo com um curto e seco “nem penses, menina Petra!”. Fogo, desmancha prazeres!!!
Demos a volta, subimos e descemos, e sempre muita, muita pedra e a grata recordação daquela aguinha tão boa, tão convidativa.
E a visita acabou… Almoçámos, depois de umas peripécias em Espanha, e eis que aparece o “tio” Miguel! Eheheh, só podia significar coisa boa…
E era: voltámos ao meu paraíso! E explorámos o mais que podíamos, a dona corada e os olhos brilhantes de contentamento como há muito não a via!

Foi uma noite descansada, diz ela, connosco (eu, Nino e Miro) completamente mortos para o mundo, imersos nos nossos sonhos e gemendo de cansaço... Sim, e então depois de um compensador petisco, era o que nos restava... Vida boooaaa!!!
Segunda-feira ainda fizemos mais visitas, mas os nossos passos levaram-nos, mais uma vez, àquele sítio tão agradável com um dos irmãos da dona. E explorámos mais e mais. Explorámos tanto que o Mirinho se lembrou de cair de um dos muros… para o lado errado, claro! Este cão não existe mesmo!!! E era vê-lo aos saltos, do outro lado, até que conseguiu trepar sozinho e entrar, todo vitorioso! Deve ter a mania que é canguru.
O Nino descobriu “bicho” (ovelhas), em duas propriedades adjacentes e a sua vocação de “cão-pastor” revelou-se em força! A dona diz que lhe vai oferecer uma ovelhinha no Natal, para ele cuidar…
E descobrimos vestígios de raposas… Belo, mais confusão!!! O nosso futuro será: “Ai, onde anda a Maria? (busca frenética)”, “O Binx foi comido, de certeza! (choro convulsivo)”, e todos numa muito boa… Nem quero pensar, a sério! Há uma vantagem: não teremos vizinhos a ouvir: “Bolas, Fausto, acaba com isso que estou cansada!”, “Meninos, não quero nenhum a tomar banho comigo!!!”… Até coro!
E agora estamos aqui, sem saber de nada, se compra, se não compra… Vamos lá entender estes humanos!

Eu já lhe dei a perceber que É aquela e acho que até se deverá chamar “Quinta da Petra”…

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Há aqui coisa...


Huuummm, paira qualquer coisa por aqui… Ainda não entendi bem o que é mas parece-me que andamos a procurar casa na zona de Marvão. Talvez nem seja bem uma casa pois tenho ouvido a dona a falar ao telefone com o irmão Fernando e a palavra “quintinha” surgiu diversas vezes.
Vai-lhe lendo o que descobre na net e eu, deitada bem juntinho a ela, escuto atentamente! Sim, tenho que salvaguardar os nossos interesses, não??
Há uma propriedade que parece estar a tocar-lhe no coração. E pede a opinião ao irmão… Então, e eu??? Não sou tida em conta porquê?? Afinal, sou parte fundamental da vida dela e muito interessada no nosso futuro!! E é comigo que ela vive…
E vai dizendo: “A área é grande. Tem um bom campo de cultivo…” Cultivo? Para quê? Espero que não esteja a pensar em pôr-me a puxar um arado… Ou o Nino a plantar cebolas… Estou mesmo a ver: de madrugada, aos gritos: “Meninos, hoje é dia de apanhar azeitona!! Toca a levantar! O rancho é depois das 10.00 horas!” E nós, os nove, ensonados, em jejum e em fila, quase a desfalecer de fraqueza, atrás dela, com as sacas e as cestas e as varas e…
Nãããããoooo!!! Nunca! Quero é que me diga uma coisa muuuiiitooo importante: tem pedras ou não tem pedras???
“Diz aqui que a área total é de 13500 metros quadrados…” Vá lá, passa à frente e vê se tem pedras… O resto não interessa. Ou há pedras ou, se formos para lá, faço-lhe a vida num inferno…
“Não, não diz a área do terreno de cultivo mas pela fotografia parece grande.” E ela a dar-lhe com as batatas e os pepinos outra vez, bolas. Passa à frente, por favoooorrr… E pedras? E restaurantes para o Nino?? E andorinhas para a Maria??? Vamos ou não ser todos muito felizes para sempre?
“Tem furo e electricidade e o terreno de cultivo confina com uma linha de água…” Linha de água?? Água??? Fixe! Isso é muito booommm… E as pedras? Não está aí nada sobre pedras?? E toco-lhe no braço com a minha pata. “Está quieta, Petra! Deixa a dona descansada!” É sempre a mesma coisa: não quer nunca ouvir as minhas sugestões…
“Não, o resto do terreno é agreste, com pedregulhos e alguns sobreiros…”
Pedregulhos? Vem de pedra, não é? Há pedras!! Há pedras e água!!! Compra, compra esta, pleeeaaaseee, imploro-lhe com os olhos, pondo-me de pé bruscamente, a abanar a minha lindíssima cauda… É ouro sobre azul, não vês???
“Já combinei com o vendedor: vou lá no Carnaval ver esta e outras propriedades que assinalei!”
Yuuupppiii!! Vamos sair daqui, vamos a Marvão… Belo, tenho que contar aos outros!
O que não percebo é porque é que vamos ver mais “quintinhas”… Eu já escolhi, para quê cansarmo-nos? Estes humanos são pouco racionais…

Ainda falta muito para o Carnaval???

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

E chove!!


E chove!
Chove, chove há dias. Bolas, que seca!
Aos fins de semana vamos sempre passear a dona, assim para o Jamor, ou para Sintra, ou… Há quanto tempo?? Compreendo que lhe seja muito desagradável passear com este tempo mas para nós o que interessa é a rua. Sair é sempre booommm, mesmo que chova! O Nininho não tem a mesma opinião, mas eu gosto…
E quando chove, a Misha fica uma fera! E quando chove, a dona passa-se! E quando chove, não há muito que fazer num T2… E quando chove há sarilho!! E chove mesmo há muito tempo!
Estava um lindo e gostoso pacote de bolachas recheadas de chocolate, na bancada da cozinha, quando a dona teve que sair para visitar o “avô”… Ficou mesmo decidido que devemos ter mais pacotes destes em casa, para estes dias tristes em que ficamos sozinhos. As bolachinhas aquecem-nos a alma, tiram aquela sensação de desconforto enquanto se desfazem na nossa boca… Bem, o Nino e o Miro engolem!!
Continuando: bolachinha boa, crocante por fora e cremosa por dentro… Manjar de deuses, só pode! Um regalo para todos.
O pior foi depois: ainda pingávamos chocolate e saliva das nossas mandíbulas e o “alguém” que vive connosco chegou… Viu aquele disparate todo de cartão e migalhas e baba, respirou fundo e, antes que começasse, instalei-me no sofá. Assim é menos cansativo e vejo tudo.
“Isto é demais!”, “Esta casa está um caoooss!”, “Petra, minha menina, estás feita!!”, “Tu, Miro, e tu, preto fininho, nem imaginam…” (o Binx, sempre iluminado, tinha partido um prato ao tentar roubar o bolo de noz…), e por aí fora. Nada de novo.
E o lindo visual da cestinha dos gatos, quer dizer da Misha??? Palhinha por tudo quanto era chão… Olhos a saltarem das órbitas, espuma a sair pelos cantos da boca e: “Miiirooo!”… Nesta altura, já o Miro está no quarto muito sossegadinho na sua caminha, que só ocupa em situação de crise!
Esta manhã custou a levantar. A todos. Os gatos não se mostraram muito entusiasmados nem com a ideia do pequeno-almoço. Todos encostadinhos uns aos outros e a ela, huuummm, é de desconfiar. Pressentiam, com certeza a estupidez de dia que íamos passar, com ela agarrada aos malditos papéis e aos berros: “E vale a pena?”…
Estou a ficar muito velhota e ainda me entusiasmo menos que eles. Quis saltar para a cama da dona, mas as minhas pernas não estavam nessa. Ando muito rabugenta. E exigente! E refilona!! Quando quero seja o que for, se ela não me dá logo, faço uma choradeira tal que atinjo o meu objectivo: “alguém” se levanta apressadamente: “Pronto, Petra! Chega! A dona dá.” Adoro esta frase “A dona dá!” Saborosaaaa!
Segundo as más-línguas, passo as noites a fazer “uuooommm”, “uuooommm”. Que querem? Dói-me o corpo todo, não me sinto acomodada de maneira nenhuma e tenho que vocalizar o que sinto. Até encontrar uma posição confortável… O Simão também faz alarido, quando vomita e eu não refilo!!
A tia Paula telefonou ontem a dar a notícia da Shakira e ficámos mais cinzentos que o dia…
A generala entrou numa imensa paranóia e andou a apalpar-nos a ver se tínhamos febre e chateou, chateou, chateou! Que pancada esta mulher tem. À noite, apanho cada susto quando acordo com uma mão no meu coração a ver se ele bate e outra a esborrachar o meu delicado nariz a ver se respiro… Ainda tenho um enfarte!
Depois de um desentendimento entre a Misha e o Simão, a paz instalou-se e tudo dorme. Menos eu. Ah, e o AXN, claro!
Hoje, até estou a estranhar: o Binxas está a dormir encostado à dona. Parece que esta noite vai intervalar um pouco na paixão avassaladora pela Maria. Tem sido um inferno: não a larga, emitindo aqueles ruídos que inventou agora e a moça rosna e assanha-se e vão contra portas e estantes… e tirem-me daqui!!!
Quando é o Verão??

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Nino, um senhor!


Que manhã!! É mesmo para esquecer…
Ontem, quando nos viemos deitar, a dona só dizia: “Ai, se não ouço o “estridente”, meninos! Estou feita!!” Anda muito em baixo: a “avó” saiu agora do hospital, onde esteve uma série de dias, e entrou o “avô” para os cuidados intensivos… Não, garanto que a dona não teve nada a ver com isso!! Nada, mesmo! Foi o coração, que está velhinho como o meu.
Despertador? Para quê?? Caiu um trovão daqueles que acordou o mundo inteiro! Aliás, ela nem imagina, mas quando vimos o clarão, saltámos que nem relâmpagos para a cama dela, apavorados!! Bem, e debaixo de nós, ocorreu um verdadeiro sismo: ELA!!! Sentou-se muito de repente e gritou: “Nino, a dona tá aqui!”
O Nino também já lá “tava”, tremendo que nem gelatina na noite de sábado, com aquela intempérie toda, a tentar proteger-se com o edredon. Maricas!!! Tremeu, gemeu, levou montes de beijinhos, sempre muito abraçadinho… O Nininho entra completamente em choque com trovoadas ou fogo de artifício. Os outros têm medo, mas não ficam assim. Eu sento-me, excitadíssima, e zango-me imenso com aquele barulho todo.
Às vezes, interrogo-me como conseguiu ele sobreviver na rua. Houve trovoadas de certeza. Quem o abraçava e dava beijinhos??? E dizia: “Tudo bem. Já passou, lindo.”?
O meu maior amigo e grande companheiro é o Nino, que chegou em Novembro de 2002. Há já algum tempo que o conhecia, por vir atrás de mim, e bem depressa começámos a brincar. Havia alguém que fingia olhar para o lado para não o ver… No dia em que se meteu com um rottweiler e ficou pendurado pela sua farfalhuda gola, é que “alguém” se decidiu a levá-lo para casa!
Correu bem. Sim, pode-se mesmo dizer que correu muito bem! Só no elevador é que aquela “ génio” se lembrou que tinha três lindos e valentes felinos! Entrámos e o Nino, quando viu os pumas encostou-se à porta do armário da sala, a proteger as traseiras. Algumas bufadelas e rosnidos depois, o Simãozinho, aproximou-se dele e deu-lhe uma marradinha estilo "boas vindas". E ficaram amigos para sempre! Sinceramente, até enjoa vê-los às marradinhas e lambidinhas nas orelhas!
O novo hóspede teria os seus três anos, na altura. Ou seja, deve andar agora pelos nove.
O Nino é um senhor!! Um verdadeiro senhor e, como tal, sabe estar em qualquer lado. Isto é de tal maneira verdade que até participou numa peça de teatro da escola e tudo e o cachet dele foi pago em rissóis, croquetes e afins. Foi A estrela!
Gosto muito de estar com ele. As pessoas, ao verem-nos, chamam-nos “ A dama e o vagabundo” e acham imensa graça. Até se esquecem da nossa diferença, grande diferença de alturas. O que tenho de alta e esguia, tem o rapaz de baixinho e rechoncho, mas fazemos um belo par!!!
O Nino, nem poderia ser de outra forma, é louuuucooo por comida! Os pratos favoritos são todos, mas lombinhos de porco preto grelhados e castanhas assadas é um “must”. A maneira como ele engole semelhantes items, comove-nos… Também não perde uma congénere em cio, não perde não!!! É um Don Juan! E tem saída!
Os sítios favoritos para passear são os contentores de lixo, cafés, restaurantes, à falta de melhor, uma qualquer merceariazita de bairro… E Marvão, claro! Muito “bicho” (vacas, ovelhas, cabras, bicicletas em cima de automóveis, tudo o põe em brasa!), muita esquina, muito espaço… Poucas cadelas, mas não se pode ter tudo, não é?
Dá-se bem com todos, mas é muito temente à Misha! Porque será?
Olhando para o Nino, bem no fundo daqueles olhões meigos, passando a zona da gulodice e a das “meninas”, adivinho uma sabedoria milenar que não possuo, nem nunca possuirei, pois perdeu-se com tanto apuramento.
E bem, o sossego está instalado, finalmente, e já posso descansar. O Simão vomitou e foi um drama. Antes de o fazer, dá uns miados angustiantes, e a dona galopa: “Simão, a dona tá a ir!! A dona ajuda!!!” O que pensarão os vizinhos???
Não quero mesmo saber ou nunca mais saio à rua!